Voe!

“Quem passou pela Vida em branca nuvem, / E em plácido repouso adormeceu,
 / Quem não sentiu o frio da desgraça,
 / Quem passou pela Vida e não sofreu,
 / Foi espectro de homem; não foi homem,
 / Só passou pela Vida, não viveu.”
– Francisco Otaviano –
(por Barry Holubeck / CC BY-SA 3.0 / Dessaturado do original)

Quando um policial morre baleado, não é tão difícil entender; a vida nas ruas é perigosa, mas alguém tem que vivê-la se esperamos ter um mínimo de segurança e ordem. Então, quando acontece, o burburinho é no sentido de saber exatamente o que houve: se foi covardia dos bandidos, se foi em combate ou se o policial estava na sacanagem. Mas nunca se questiona o “mérito” da morte — policial e bandido morrem com tiro e é isso.

Continuar lendo

Anúncios

O.P.A.R. – Comentário: Moralidade “Anti-Evasão”

“Por sua natureza, a evasão é uma forma de não-integração. É a forma mais letal: a desintegração intencional de conteúdos mentais. Um homem nesta condição não tem mais meios para determinar consistência ou contradição, verdade ou falsidade. Em sua consciência, todo o conteúdo conceitual é reduzido ao caprichoso, ao sem fundamento, ao arbitrário; nenhuma conclusão se qualifica como conhecimento em uma mente que rejeita as exigências da cognição. Assim, o verdadeiro evasor […] atinge apenas um fim e um tipo de “segurança”: a cegueira total.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 225.
(Pare de se evadir. Olhe para a realidade. Vê algo que não pode aceitar? Combata-o.)

O combate tem uma moralidade embutida, e ela é bela. Mas, por favor, entenda o que quero dizer com combate. Não é uma guerra ou uma situação violenta em que você se encontra. O combate é uma atitude em relação à vida, é escolher a luta ao invés de fugir. As formas mais facilmente reconhecíveis de combate são as explícitas, como a que eu pratico nas favelas, mas não é a aparência externa que importa — é a ética subjacente. Quando pressiono o gatilho do meu fuzil, não estou escolhendo a morte; eu estou escolhendo a vida — a vida de um homem qua homem como o seu padrão de valor.

Continuar lendo

O.P.A.R. – Capítulo 7: O Bem

“Para que fim um homem deve viver? Por qual princípio fundamental ele deve agir para atingir esse objetivo? Quem deve lucrar com suas ações? As respostas a estas questões definem o valor último, a virtude primária e o beneficiário particular sustentados por um código ético e revelam, assim, sua essência. […] O valor final é a vida. A principal virtude é a racionalidade. O beneficiário adequado é si mesmo.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 206.
(Diógenes Sentado em sua Manilha, por Jean-Léon Gérôme (1860). A vida do homem qua homem é o padrão objetivista de valor, não a vida a qualquer preço. Uma coisa posso dizer com certeza: Diógenes não era um Objetivista.)

A ética fornece “um código de valores para guiar as escolhas e ações do homem — as escolhas e ações que determinam o propósito e o curso de sua vida”. Valor, de acordo com Ayn Rand, é “aquilo que se age para ganhar e/ou manter. Valor pressupõe uma entidade capaz de agir para alcançar um objetivo diante de uma alternativa. Onde não existe alternativa, não há objetivos e valores possíveis. A alternativa fundamental da vida ou da morte é a pré-condição de todos os valores. Isso mostra que a vida deve ser o nosso valor final, algo a ser perseguido como um fim em si mesmo, o padrão para todos os outros valores.

Continuar lendo