Maldito seja, Epicteto!

Eu vejo minha mãe deitada na cama do hospital e eu amaldiçoo Epicteto. Ele diz que temos que ser indiferentes a coisas indiferentes. Ele diz que coisas indiferentes são dor, doença, morte e tudo o que está além do nosso controle, tudo que não se origina de nossas próprias ações e feitos. É inútil lutar contra os desígnios de Deus, então tudo o que devemos fazer é nos comportar e seguir o fluxo, mantendo uma resignação serena em relação às dificuldades da vida. Devemos pensar objetivamente sobre tudo o que acontece em nossas vidas, esforçando-nos para sermos justos em nossas ações, desempenhando nossos deveres como homens racionais, cumprindo nosso papel de criaturas divinas. Em suma, ele quer que eu não dê a mínima para a morte que se aproxima de minha própria mãe — e isso me enfurece.

Continuar lendo

O Combatente – #4

Não há nada lá fora. É como se ele finalmente chegasse ao fim do mundo que sempre imaginou quando criança. Ele costumava lutar com a idéia do infinito. Como isso é possível? Tudo deve ter um fim. Mas quando ele tentava imaginar tal fim, ficava perplexo. Ele imaginava uma enorme parede de tijolos se estendendo indefinidamente em todas as direções. Mas, é claro, sempre surgia a pergunta óbvia: O que está além da parede? Agora, de pé em sua varanda, olhando para o vale à frente, tudo o que ele vê é um maciço cinza-escuro cobrindo todo o campo de visão, como sua parede de tijolos.

Continuar lendo