História da Filosofia – Aula 7: O Ceticismo dos Sofistas

“Górgias, que foi o exemplo perfeito de um cético do século XX transplantado para a Grécia antiga […] manteve três proposições básicas: um, nada existe; dois, se alguma coisa existisse, você não poderia saber; três, se você pudesse saber, você não poderia se comunicar. Agora, isso é o que se chama de ceticismo.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 7.
(Eu não gosto de arte moderna. Mas se procurarmos bem, talvez tenha algo para se aprender com ela. A escultura de aço “Protágoras”, de Charles Ginnever, bem poderia ser considerada a concretização de uma ideia filosófica. A escultura muda de forma à medida que os espectadores se movem em torno dela, o jogo de luz e sombra em suas formas triangulares dando vida à estrutura massiva. “Os sentidos enganam”, eu diria que é a mensagem. Mas, agora, tente imaginar alguém saltando dessa ideia malformada (porque não são os sentidos que estão errados, mas os conceitos que geramos a partir deles) para a conclusão de que nada existe. Talvez alguns dos juízes federais que trabalham no Edifício Burger, em St. Paul, Minnesota, onde “Protágoras” está instalada, gostariam que ela desaparecesse. Mas afirmar que ela nunca existiu seria um pouco forçado. No entanto, é exatamente isso que sofistas como Protágoras e Górgias faziam.)

Os sofistas foram tachados ao longo da história como professores gananciosos e imorais, mas isso é polêmica para um curso de história, ou um sobre Platão e sua obsessão por eles. Leonard Peikoff se concentra, em vez disso, nas ideias que eles apresentam — mesmo que sua ideia principal seja a negação de todas as ideias.

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Uma Breve História da História

Usando uma metáfora ridiculamente simplificada: É como se ambos os escritores estivessem pintando um retrato de uma mulher sentada em uma mesa. Mas enquanto o novelista está pintando de imaginação, e pode dar à mulher quaisquer propriedades, ou raça, ou idade, ou vestido, o historiador está olhando uma mulher jovem e branca de verdade, sentada em uma mesa na calçada ao largo de uma lanchonete em St. Louis…
Susan Wise Bauer, “The Well-Educated Mind”, página 164.
(Auto-Retrato de Aert de Gelder pintando uma mulher velha e feia, 1685. Assim como esse pintor, um historiador não poderia tornar a mulher jovem e bonita.)

SUMÁRIO: O que se segue é um sumário do Capítulo 7 de “The Well-Educated Mind“, por Susan Wise Bauer, entitulado “The Story of the Past: The Tales of Historians (and Politicians)”. Todo o conteúdo (com exceção do meu comentário final) é dela. O leitor interessado faz bem em comprar o seu livro para um tratamento completo sobre a educação liberal que todos deveríamos ter.
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História da Filosofia – Aula 3: Heráclito e o Mundo das Contradições

Um grande número de crianças vivem nesse tipo de mundo graças à irracionalidade deliberada de seus pais, cujo comportamento é caracterizado por mudanças e flutuações constantes, de forma que nada permanece verdadeiro de um momento ao outro, e por constantes contradições. Essa é a receita perfeita para o mundo heracliteano.
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 3.
(Desde muito cedo na história da filosofia, Heráclito desconsiderou os sentidos como inválidos e aceitou a contradição na realidade. Dois mil e quinhentos anos mais tarde, ainda sentimos os efeitos de tais erros.)

Tales deu origem à filosofia confiando na experiência sensorial e na razão. O próximo filósofo[1]Heráclito – não só seguiu um caminho diferente, mas deslanchou uma reação em cadeia que atravessou a história, derrubando como dominós tudo o que o homem tentou erigir com sua razão. Tudo começou com o problema da mudança e multiplicidade; tudo terminou com a minha sobrinha de treze anos perguntando petulantemente: “Por que não posso simplesmente decidir que sou um menino?”

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