Um Brevíssimo Preâmbulo para a Filosofia Contemporânea

A “Bíblia Gutenberg”, o primeiro livro substancial impresso no Ocidente. Eu o vejo como uma metáfora para a fé sendo formatada pela tecnologia, um símbolo de uma modernidade incipiente.
(Imagem por NYC Wanderer / CC BY-SA 2.0 / Dessaturado do original)

A modernidade histórica e a filosofia moderna não são sincronizadas. A primeira começa naquela grande confluência de invenções, conquistas e descobertas que caracterizam a segunda metade do século XV, sendo mais importante a imprensa de Gutenberg, a queda de Constantinopla e a descoberta da América; a segunda começa apenas no século XVII com Bacon, Hobbes e Descartes. O humanismo renascentista dos séculos XV e XVI, assim como a Reforma Protestante, só podem ser considerados como um período de transição que leva à filosofia moderna propriamente dita nos séculos XVII e XVIII. Depois que Kant morre (1804), podemos dizer que a razão fracassou e que os fundamentos da irracionalidade tão difundida hoje começam. É esse período de crescente irracionalidade desde Kant até depois das Grandes Guerras que chamaremos aqui de filosofia contemporânea; o período depois disso, você pode dar o nome que quiser.

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História da Filosofia – Aula 3: Heráclito e o Mundo das Contradições

Um grande número de crianças vivem nesse tipo de mundo graças à irracionalidade deliberada de seus pais, cujo comportamento é caracterizado por mudanças e flutuações constantes, de forma que nada permanece verdadeiro de um momento ao outro, e por constantes contradições. Essa é a receita perfeita para o mundo heracliteano.
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 3.
(Desde muito cedo na história da filosofia, Heráclito desconsiderou os sentidos como inválidos e aceitou a contradição na realidade. Dois mil e quinhentos anos mais tarde, ainda sentimos os efeitos de tais erros.)

Tales deu origem à filosofia confiando na experiência sensorial e na razão. O próximo filósofo[1]Heráclito – não só seguiu um caminho diferente, mas deslanchou uma reação em cadeia que atravessou a história, derrubando como dominós tudo o que o homem tentou erigir com sua razão. Tudo começou com o problema da mudança e multiplicidade; tudo terminou com a minha sobrinha de treze anos perguntando petulantemente: “Por que não posso simplesmente decidir que sou um menino?”

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