O Combatente – #3

Ele daria graças a Deus pela vibração em seu bolso, mas ele não é tão hipócrita. Suas crenças estão extremamente escassas hoje em dia: sua Glock 22 na cintura é uma delas; Deus não entra na lista. Mas é com sincera gratidão à deusa Fortuna que ele faz uma das coisas que mais odeia e pega seu celular dentro do bolso — pelo menos seu transe acabou, e ele encontra a decisão necessária para sair do quarto de sua filha. Ele não olha para trás enquanto fecha suavemente a porta.

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O Combatente – #2

O ar aquecido do quarto de sua filha o recebe como um abraço de mãe, imediatamente amansando seu espírito, amaciando a dureza que ele tentara obter no banho frio. Esse é o motivo de não entrar no quarto: ele o enfraquece no aqui e agora. E o imediato é sempre mais contundente na alma do homem.

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O Combatente – #1

Quando o alarme dispara às duas da manhã, ele tem certeza de que ainda está sonhando. Ele apenas fechou os olhos, então não pode ser hora de acordar. Mas é. O problema é que depois de vinte horas trabalhando duro para proteger as famílias dos outros, tentando ganhar no setor privado o dinheiro que a polícia é que deveria fornecer, essas três horas de sono parecem passar como um relance, um breve interlúdio de vida tão profundo quanto a própria morte.

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