Maritain e Meu Péssimo Humor

Talvez seja o astral terrível em que estou agora, mas foi muito difícil ler Jacques Maritain hoje. Se eu quiser apresentar um artigo na próxima conferência, preciso encontrar algo para escrever sobre ele. Mas, agora que terminei de ler “Humanismo Cristão”, minha impressão é que eu acabei de  escutar um sermão católico.

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O.P.A.R. – Capítulo 8: Virtudes (Honestidade)

“A filosofia só pode nos dizer isso: a realidade é uma unidade; se afastar dela em um único ponto, portanto, é afastar-se dela em princípio e, assim, brincar com um pavio aceso. A bomba pode não explodir. O mentiroso pode anular o poder de seu inimigo: aquilo que é, e pode se safar com qualquer esquema; ele talvez vença a batalha. Mas se essas são as batalhas que ele está lutando, ele necessariamente terá que perder a guerra.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 271.
Mentir é declarar guerra à realidade.
(Uma demonstração de uma flame fougasse em algum lugar na Inglaterra, durante a Segunda Guerra Mundial.)

“Honestidade” é a recusa em fingir a realidade, ou seja, em fingir que os fatos são diferentes do que realmente são. Se racionalidade é o compromisso com a realidade, honestidade é a rejeição da irrealidade. O homem racional reconhece que a existência existe; o honesto, que apenas a existência existe.

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O.P.A.R. – Capítulo 8: Virtudes (Independência)

“Nada é dado ao homem na Terra. Tudo o que ele precisa tem que ser produzido. E aqui o homem enfrenta sua alternativa básica: ele pode sobreviver em apenas uma de duas maneiras — pelo trabalho independente de sua própria mente ou como um parasita alimentado pelas mentes dos outros. O criador origina. O parasita pede emprestado. O criador enfrenta a natureza sozinho. O parasita enfrenta a natureza através de um intermediário. A preocupação do criador é a conquista da natureza. A preocupação do parasita é a conquista dos homens. O criador vive pelo seu trabalho. Ele não precisa de outros homens. Seu principal objetivo é interior a si mesmo. O parasita vive em segunda mão. Ele precisa de outros. Outros se tornam seu principal motivo. A necessidade básica do criador é a independência. A mente racional … exige total independência em função e em motivação. Para um criador, todas as relações com os homens são secundárias. A necessidade básica do que vive em segunda mão é assegurar seus laços com os homens para poder ser alimentado. Ele coloca as relações em primeiro lugar.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 251-252, citando “A Nascente” de Ayn Rand.
(O que mais eu tenho para dizer?)
Imagem por Nicooografie de Pixabay.

O objetivismo enxerga o homem virtuoso como aquele que segue a razão a todo custo. Dessa forma, sua virtude principal é a racionalidade, cujo corolário é a objetividade — a aderência à realidade através do reconhecimento de fatos. O homem racional move-se do campo perceptual de suas experiências do momento para o campo conceitual do conhecimento abstrato através do uso da lógica. As virtudes mostram-lhe sob a forma de princípios quais valores deve buscar, e como aplicar sua racionalidade às escolhas concretas do dia-a-dia. Leonard Peikoff expõe as virtudes do objetivismo na mesma ordem em que aparecem no discurso de John Galt, em “A Revolta de Atlas”; eu sigo uma ordem levemente diferente que considero um pouco mais lógica.

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Maritain, o Objetivista

“Eu não sou um neo-tomista. No geral, eu prefiriria ser um paleo-tomista do que um neo-tomista. Eu sou, ou pelo menos eu espero que seja, um tomista.”
Jacques Maritain, “Existência e o Existente”, Introdução.
(A Tentação de Sto. Tomás de Aquino, por Bernardo Daddi, 1338.)

Claro que Jacques Maritain não era um objetivista; ele era um tomista. E ser tomista, aprendi, é participar pelo menos do primeiro (e, possivelmente, do mais importante) axioma do objetivismo: “Existência existe”. Isso facilita muito minha vida, agora que decidi apresentar um trabalho inexistente sobre ele em uma conferência no futuro próximo.

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O.P.A.R – Capítulo 6: A Natureza Metafísica do Homem

“A razão é a ferramenta de sobrevivência do homem. Da mais simples necessidade à mais alta abstração, resume ‘A Nascente’, ‘da roda ao arranha-céu, tudo o que somos e tudo o que temos vem de um único atributo do homem — a função de sua mente racional’.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 198.
(Uma caçada de mamute pré-histórica mostrando um grande número de homens usando flechas, lanças e facas para superar um único mamute. Eles poderiam fazer isso por instinto? Não. Talvez pudessem quando eles eram macacos. Mas no momento em que deixaram de ser macacos, sua sobrevivência passou a depender de suas mentes. O homem é o animal racional, “porque o homem é o organismo que sobrevive pelo uso da razão.”)

Um sistema de pensamento deve fornecer uma compreensão filosófica da natureza do homem. A natureza metafísica do homem, como Ayn Rand colocou, é o que liga os amplos princípios abstratos na base de qualquer sistema às decisões práticas em seu ápice. Se você não souber o que você é, você não poderá decidir corretamente o que fazer em nenhuma situação determinada. Por exemplo, se você é uma célula de um todo maior, seja da Sociedade ou de Deus, você se comportará de acordo com os ditames de um deles; se você é “apenas” um indivíduo, você agirá como um.

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O.P.A.R – Capítulo 5: Razão

“Objetivismo não é contra emoções, mas contra emocionalismo. A preocupação de Ayn Rand não é defender o estoicismo ou encorajar a repressão, mas sim identificar uma divisão de trabalho mental. Não há nada errado com o sentimento que se segue a um ato de pensamento; esse é o padrão humano natural e adequado. Há tudo de errado com o sentimento que procura substituir o pensamento, usurpando sua função.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 162.
(Você realmente acha que deveria matar uma barata e ter pena dos gatos nas ruas? Você realmente faz isso porque ponderou todos os fatos? Você mata uma barata porque ela evoca um sentimento ruim em você. Nada mais. O que mais você mata — ou deixa morrer — baseado nos seus sentimentos? No fim das contas, é tudo sobre filosofia — ou a falta dela.)

“Siga a razão”. Se objetividade é aderir à realidade, razão é a faculdade do homem que lhe permite fazê-lo. É a faculdade que processa os dados provenientes da realidade — percepções — na forma humana de cognição — conceitos — através do método humano de cognição — lógica. No entanto, o homem prefere ser guiado por seus sentimentos do que pela razão. E depois ele se pergunta por que o mundo é como é.

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O.P.A.R – Capítulo 4: Objetividade

“O Sr. Chamberlain lidou com a demanda de Hitler como um fato isolado a ser tratado por uma resposta isolada; para fazer isso, ele teve que dispensar uma imensa quantidade de conhecimento. […] O primeiro ministro queria ‘paz a qualquer preço’. O preço incluiu evadir-se da filosofia política, história, psicologia, ética e muito mais. O resultado foi guerra.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 124-125.
(O primeiro-ministro Neville Chamberlain retorna à Grã-Bretanha depois de assinar o Acordo de Munique, efetivamente entregando a Tchecoslováquia a Hitler. Qualquer novo conhecimento, proposta ou ideia deve sempre ser integrado ao seu contexto completo, que é, em última análise, a soma de todo o conhecimento disponível. Essa abrangente integração, longe de ser fácil, exige muito esforço, mas é possível graças à filosofia. O preço de não dar atenção a isso pode ser guerra. “Combate como filosofia de vida – Filosofia como única alternativa ao combate.”)

Segundo Leonard Peikoff, objetividade significa aceitar que “pensar, para ser válido, deve aderir à realidade”. Conceitos não pertencem apenas à consciência ou apenas à existência. Eles são o produto de um tipo específico de relação entre as duas, guiados por um método humano: a lógica.

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Um Comentário (meio) Objetivista sobre “Duna”

“Profecia e presciência – Como podem ser postas à prova diante das questões não respondidas? Considere: quanto é a previsão real da “forma de onda” (como Muad’Dib referiu-se à sua visão-imagem) e quanto o profeta está moldando o futuro para se adequar à profecia? E quanto aos harmônicos inerentes ao ato da profecia? O profeta vê o futuro ou ele vê uma linha de fraqueza, uma falha ou clivagem que ele pode quebrar com palavras ou decisões como um cortador de diamantes quebra sua gema com um golpe de uma faca?”
— Frank Herbert, “Duna”, página 312.
(The Kaaba. Profecias, profetas, uma misteriosa pedra negra consagrada em um enorme cubo granítico. O “poder da religião” é o tema de Duna. Mas não é esse o tema aqui na Terra também?)

Desconsiderando a injusta competição da Epopéia de Gilgamesh, Duna pode ser considerado o primeiro romance de ficção científica do tipo “o escolhido”. Luke, Neo, Aragorn, Potter, todos devem pelo menos alguns de seus poderes a Paul Atreides e, claro, a Frank Herbert. Mas o que realmente me chamou a atenção desde o começo do livro foram suas tendências (meio) objetivistas. Se eu tivesse que escolher uma única palavra para representar o Objetivismo, ela seria “razão”. Se eu tivesse que escolher para Duna, também seria… – OK, seria “vermes-de-areia” – mas a próxima escolha seria “razão” também.

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O.P.A.R – Capítulo 1: Realidade

O livro não escrito de Ayn Rand.

SUMÁRIO[1]: Essa é uma série de posts que resumem e comentam cada capítulo do livro “Objectivism: The Philosophy of Ayn Rand” (O.P.A.R., para encurtar). Esse livro foi escrito por Leonard Peikoff, herdeiro e principal discípulo de Ayn Rand, e pode ser considerado como o livro que ela teria escrito se não fosse tão apegada à ficção. Como temos “A Revolta de Atlas” e “A Nascente”, nós a perdoamos.

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Objetivismo e sua Estrutura Lógica

Minha parede objetivista: o diagrama da Estrutura Lógica do Objetivismo.

Eu decidi estudar Objetivismo — a filosofia de Ayn Rand — por dois motivos. Primeiro, o óbvio: eu concordo com muita coisa. Além disso, eu tive um sentimento desconcertante enquanto lia sua filosofia: parecia que alguém estava expressando meus próprios pensamentos melhor do que eu.

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