Carta a um Amigo: Sobre a Família

Meu amigo,

Eu nunca tive a chance de te dizer isso, mas eu o faço agora porque acho que você deveria ouvir. Eu pensei nisso por causa da minha mãe, que está morrendo em um hospital. Eu pensei nisso por causa da minha filha, que está começando sua vida. E eu lhe escrevo por causa de sua esposa e de seu filho — por sua causa. Eu lhe escrevo por causa de sua família.

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Violência Natural

“Olhai em redor: o sangue corre em rios, até mesmo alegremente, como se fosse champagne. […] Que é que a civilização suaviza em nós? […] Acontece que o homem pode acabar encontrando prazer no sangue. […] Seja como for, se a civilização não tornou o homem mais sanguinário, decerto o fez mais perversamente, mais covardemente sanguinário que antes. Antes, ele via no derramamento de sangue um ato de justiça e era de consciência tranquila que exterminava quem lhe aprazia; hoje, embora considerando o derramamento de sangue uma coisa abominável, entregamo-nos a essa abominação ainda mais frequentemente que antes. Que é pior? Decidi por vós mesmos.”
— Fyodor Dostoyevsky, “Notas do Subterrâneo”.

O dia está quase acabando e bate aquele desespero que agora já me é conhecido. Eu ainda não escrevi post algum, não tenho nenhum guardado para momentos como esse, e, o que é pior, não tenho ânimo para escrever. No entanto, escrever é preciso. Como diz um amigo meu (se referindo ao hábito de correr todo dia): quando está difícil, quando não há ânimo algum, quando tudo o que você mais quer é não fazer aquilo é justamente o momento em que você mais deve fazê-lo — só nesse momento é que existe mérito verdadeiro. E, assim, me forço a escrever. Mas tudo que vem na minha mente é o absurdo da violência em que vivemos, e cada palavra que escrevo me incomoda.

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O.P.A.R. – Comentário: Homem Qua Homem

“Pode-se dizer que as espécies conscientes inferiores sobrevivem por ‘instinto’, se o termo significar uma forma de ação não escolhida e infalível (infalível dentro dos limites de seu alcance). Sensações e percepções não são escolhidas e são infalíveis. Um instinto, no entanto — seja de autopreservação ou qualquer outra coisa — é precisamente o que um ser conceitual não tem. O homem não pode funcionar ou sobreviver pela orientação de meras sensações ou percepções. Um ser conceitual não pode iniciar uma ação a menos que ele conheça a natureza e o propósito de sua ação. Ele não pode perseguir um objetivo a menos que ele identifique qual é seu objetivo e como alcançá-lo. Nenhuma espécie pode sobreviver regredindo aos métodos de organismos mais primitivos.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 193-194.
(Sanichar, o “menino-lobo”, nos obriga a pensar o que realmente nos faz homens. Se a razão é nosso meio básico de sobrevivência, como ele sobreviveu?)

Como eu disse no meu post maluco sobre “Duna”, razão é A palavra do Objetivismo. O Capítulo 5 de O.P.A.R. estabeleceu que é somente através da razão (não das emoções) que adquirimos conhecimento acerca do mundo; e o Capítulo 6 estabeleceu que é apenas pela razão que o homem sobrevive. Eu não vou mais mergulhar em (i) por enquanto, mas acho que (ii) precisa de um pouco mais de atenção.

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O.P.A.R – Capítulo 6: A Natureza Metafísica do Homem

“A razão é a ferramenta de sobrevivência do homem. Da mais simples necessidade à mais alta abstração, resume ‘A Nascente’, ‘da roda ao arranha-céu, tudo o que somos e tudo o que temos vem de um único atributo do homem — a função de sua mente racional’.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 198.
(Uma caçada de mamute pré-histórica mostrando um grande número de homens usando flechas, lanças e facas para superar um único mamute. Eles poderiam fazer isso por instinto? Não. Talvez pudessem quando eles eram macacos. Mas no momento em que deixaram de ser macacos, sua sobrevivência passou a depender de suas mentes. O homem é o animal racional, “porque o homem é o organismo que sobrevive pelo uso da razão.”)

Um sistema de pensamento deve fornecer uma compreensão filosófica da natureza do homem. A natureza metafísica do homem, como Ayn Rand colocou, é o que liga os amplos princípios abstratos na base de qualquer sistema às decisões práticas em seu ápice. Se você não souber o que você é, você não poderá decidir corretamente o que fazer em nenhuma situação determinada. Por exemplo, se você é uma célula de um todo maior, seja da Sociedade ou de Deus, você se comportará de acordo com os ditames de um deles; se você é “apenas” um indivíduo, você agirá como um.

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