Maldito seja, Epicteto!

Eu vejo minha mãe deitada na cama do hospital e eu amaldiçoo Epicteto. Ele diz que temos que ser indiferentes a coisas indiferentes. Ele diz que coisas indiferentes são dor, doença, morte e tudo o que está além do nosso controle, tudo que não se origina de nossas próprias ações e feitos. É inútil lutar contra os desígnios de Deus, então tudo o que devemos fazer é nos comportar e seguir o fluxo, mantendo uma resignação serena em relação às dificuldades da vida. Devemos pensar objetivamente sobre tudo o que acontece em nossas vidas, esforçando-nos para sermos justos em nossas ações, desempenhando nossos deveres como homens racionais, cumprindo nosso papel de criaturas divinas. Em suma, ele quer que eu não dê a mínima para a morte que se aproxima de minha própria mãe — e isso me enfurece.

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