O.P.A.R. – Capítulo 8: Virtudes (Honestidade)

“A filosofia só pode nos dizer isso: a realidade é uma unidade; se afastar dela em um único ponto, portanto, é afastar-se dela em princípio e, assim, brincar com um pavio aceso. A bomba pode não explodir. O mentiroso pode anular o poder de seu inimigo: aquilo que é, e pode se safar com qualquer esquema; ele talvez vença a batalha. Mas se essas são as batalhas que ele está lutando, ele necessariamente terá que perder a guerra.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 271.
Mentir é declarar guerra à realidade.
(Uma demonstração de uma flame fougasse em algum lugar na Inglaterra, durante a Segunda Guerra Mundial.)

“Honestidade” é a recusa em fingir a realidade, ou seja, em fingir que os fatos são diferentes do que realmente são. Se racionalidade é o compromisso com a realidade, honestidade é a rejeição da irrealidade. O homem racional reconhece que a existência existe; o honesto, que apenas a existência existe.

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O.P.A.R. – Capítulo 8: Virtudes (Integridade)

“O poder do bem é enorme, mas depende da sua consistência. É por isso que o bem tem que ser uma questão de ‘tudo ou nada’, ‘preto ou branco’ e porque o mal tem que ser parcial, ocasional, ‘cinza’. Ser mau ‘só às vezes’ é ser mau. Ser bom é ser bom o tempo todo, ou seja, por uma questão de princípio consistente e inviolável.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 266.
Em outra vida, eu trabalhei com Lógica Nebulosa (ou “Fuzzy”), e eu costumava dizer que a “vida é nebulosa, mas eu sou booleano”, quando falávamos sobre integridade. É uma maneira difícil e nem sempre bem-sucedida de se viver, mas a única que me permite dormir à noite.
(Imagem por Kyle McDonald do Flickr / CC BY-NC-SA 2.0)

Integridade é lealdade em ação às convicções e valores de uma pessoa. Como Ayn ​​Rand colocou, o homem íntegro não pode “permitir nenhuma brecha entre corpo e mente, entre ação e pensamento, entre sua vida e suas convicções…” Mas para manter todos os seus juízos de valor à mão em meio à turbulência da vida cotidiana é uma tarefa volitiva. E uma muito difícil. Você precisa manter em foco o contexto completo de seu conhecimento, mantendo seus objetivos de longo prazo na frente de seus olhos o tempo todo. A única maneira de fazer isso é se você integrou seus conhecimentos e propósitos em princípios.

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O.P.A.R. – Capítulo 8: Virtudes (Independência)

“Nada é dado ao homem na Terra. Tudo o que ele precisa tem que ser produzido. E aqui o homem enfrenta sua alternativa básica: ele pode sobreviver em apenas uma de duas maneiras — pelo trabalho independente de sua própria mente ou como um parasita alimentado pelas mentes dos outros. O criador origina. O parasita pede emprestado. O criador enfrenta a natureza sozinho. O parasita enfrenta a natureza através de um intermediário. A preocupação do criador é a conquista da natureza. A preocupação do parasita é a conquista dos homens. O criador vive pelo seu trabalho. Ele não precisa de outros homens. Seu principal objetivo é interior a si mesmo. O parasita vive em segunda mão. Ele precisa de outros. Outros se tornam seu principal motivo. A necessidade básica do criador é a independência. A mente racional … exige total independência em função e em motivação. Para um criador, todas as relações com os homens são secundárias. A necessidade básica do que vive em segunda mão é assegurar seus laços com os homens para poder ser alimentado. Ele coloca as relações em primeiro lugar.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 251-252, citando “A Nascente” de Ayn Rand.
(O que mais eu tenho para dizer?)
Imagem por Nicooografie de Pixabay.

O objetivismo enxerga o homem virtuoso como aquele que segue a razão a todo custo. Dessa forma, sua virtude principal é a racionalidade, cujo corolário é a objetividade — a aderência à realidade através do reconhecimento de fatos. O homem racional move-se do campo perceptual de suas experiências do momento para o campo conceitual do conhecimento abstrato através do uso da lógica. As virtudes mostram-lhe sob a forma de princípios quais valores deve buscar, e como aplicar sua racionalidade às escolhas concretas do dia-a-dia. Leonard Peikoff expõe as virtudes do objetivismo na mesma ordem em que aparecem no discurso de John Galt, em “A Revolta de Atlas”; eu sigo uma ordem levemente diferente que considero um pouco mais lógica.

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O.P.A.R. – Capítulo 7: O Bem

“Para que fim um homem deve viver? Por qual princípio fundamental ele deve agir para atingir esse objetivo? Quem deve lucrar com suas ações? As respostas a estas questões definem o valor último, a virtude primária e o beneficiário particular sustentados por um código ético e revelam, assim, sua essência. […] O valor final é a vida. A principal virtude é a racionalidade. O beneficiário adequado é si mesmo.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 206.
(Diógenes Sentado em sua Manilha, por Jean-Léon Gérôme (1860). A vida do homem qua homem é o padrão objetivista de valor, não a vida a qualquer preço. Uma coisa posso dizer com certeza: Diógenes não era um Objetivista.)

A ética fornece “um código de valores para guiar as escolhas e ações do homem — as escolhas e ações que determinam o propósito e o curso de sua vida”. Valor, de acordo com Ayn Rand, é “aquilo que se age para ganhar e/ou manter. Valor pressupõe uma entidade capaz de agir para alcançar um objetivo diante de uma alternativa. Onde não existe alternativa, não há objetivos e valores possíveis. A alternativa fundamental da vida ou da morte é a pré-condição de todos os valores. Isso mostra que a vida deve ser o nosso valor final, algo a ser perseguido como um fim em si mesmo, o padrão para todos os outros valores.

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História da Filosofia – Aula 8: Sócrates e o Problema dos Universais

“Um cachorro, por exemplo, gosta de um osso; ele gosta de vários ossos. Agora, a questão é: por que não lhe ocorre abrir uma loja de ossos, ou iniciar uma ciência de ossos, ossologia, e descobrir de onde vêm os ossos e como os você os obtém? E o problema é que o pobre cachorro não consegue ter a idéia de “ossidade”, entende? Ele obtém esse osso, e depois o próximo — ele esqueceu o primeiro — depois o seguinte e assim por diante. E então o problema dele é que ele está enredado em particulares e ele não consegue ascender aos universais.”
— Leonard Peikoff,  curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 8.
(O “Homem Universal”, por Gerald Gladstone. Sócrates provavelmente não estava pensando nisso quando procurava uma abstração apropriada para o homem, mas eu acho que é uma boa mnemônica para o tópico dos universais. Fonte original: SimonP; CC BY-SA 3.0 / Dessaturado do original)

É quase impossível exagerar a influência de Sócrates na história do pensamento. Ele ensinou Platão, que ensinou Aristóteles; só isso mostraria sua importância, mas, é claro, ele fez muito mais. A maior parte do que sabemos sobre Sócrates, no entanto, é através dos diálogos de Platão, então a verdade é que não sabemos muito sobre ele. Os estudiosos tendem a concordar que os primeiros diálogos representam principalmente o Sócrates histórico, enquanto os diálogos do meio e do final representam o próprio Platão. Seja como for, como um personagem de ficção, um verdadeiro filósofo ou apenas um homem de caráter, Sócrates vem ensinando toda a humanidade por milênios. “A vida não examinada não vale à pena ser vivida”. Isso poderia ser considerado seu lema; hoje, é o meu.

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O.P.A.R. – Comentário: Homem Qua Homem

“Pode-se dizer que as espécies conscientes inferiores sobrevivem por ‘instinto’, se o termo significar uma forma de ação não escolhida e infalível (infalível dentro dos limites de seu alcance). Sensações e percepções não são escolhidas e são infalíveis. Um instinto, no entanto — seja de autopreservação ou qualquer outra coisa — é precisamente o que um ser conceitual não tem. O homem não pode funcionar ou sobreviver pela orientação de meras sensações ou percepções. Um ser conceitual não pode iniciar uma ação a menos que ele conheça a natureza e o propósito de sua ação. Ele não pode perseguir um objetivo a menos que ele identifique qual é seu objetivo e como alcançá-lo. Nenhuma espécie pode sobreviver regredindo aos métodos de organismos mais primitivos.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 193-194.
(Sanichar, o “menino-lobo”, nos obriga a pensar o que realmente nos faz homens. Se a razão é nosso meio básico de sobrevivência, como ele sobreviveu?)

Como eu disse no meu post maluco sobre “Duna”, razão é A palavra do Objetivismo. O Capítulo 5 de O.P.A.R. estabeleceu que é somente através da razão (não das emoções) que adquirimos conhecimento acerca do mundo; e o Capítulo 6 estabeleceu que é apenas pela razão que o homem sobrevive. Eu não vou mais mergulhar em (i) por enquanto, mas acho que (ii) precisa de um pouco mais de atenção.

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O.P.A.R – Capítulo 6: A Natureza Metafísica do Homem

“A razão é a ferramenta de sobrevivência do homem. Da mais simples necessidade à mais alta abstração, resume ‘A Nascente’, ‘da roda ao arranha-céu, tudo o que somos e tudo o que temos vem de um único atributo do homem — a função de sua mente racional’.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 198.
(Uma caçada de mamute pré-histórica mostrando um grande número de homens usando flechas, lanças e facas para superar um único mamute. Eles poderiam fazer isso por instinto? Não. Talvez pudessem quando eles eram macacos. Mas no momento em que deixaram de ser macacos, sua sobrevivência passou a depender de suas mentes. O homem é o animal racional, “porque o homem é o organismo que sobrevive pelo uso da razão.”)

Um sistema de pensamento deve fornecer uma compreensão filosófica da natureza do homem. A natureza metafísica do homem, como Ayn Rand colocou, é o que liga os amplos princípios abstratos na base de qualquer sistema às decisões práticas em seu ápice. Se você não souber o que você é, você não poderá decidir corretamente o que fazer em nenhuma situação determinada. Por exemplo, se você é uma célula de um todo maior, seja da Sociedade ou de Deus, você se comportará de acordo com os ditames de um deles; se você é “apenas” um indivíduo, você agirá como um.

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História da Filosofia – Aula 7: O Ceticismo dos Sofistas

“Górgias, que foi o exemplo perfeito de um cético do século XX transplantado para a Grécia antiga […] manteve três proposições básicas: um, nada existe; dois, se alguma coisa existisse, você não poderia saber; três, se você pudesse saber, você não poderia se comunicar. Agora, isso é o que se chama de ceticismo.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 7.
(Eu não gosto de arte moderna. Mas se procurarmos bem, talvez tenha algo para se aprender com ela. A escultura de aço “Protágoras”, de Charles Ginnever, bem poderia ser considerada a concretização de uma ideia filosófica. A escultura muda de forma à medida que os espectadores se movem em torno dela, o jogo de luz e sombra em suas formas triangulares dando vida à estrutura massiva. “Os sentidos enganam”, eu diria que é a mensagem. Mas, agora, tente imaginar alguém saltando dessa ideia malformada (porque não são os sentidos que estão errados, mas os conceitos que geramos a partir deles) para a conclusão de que nada existe. Talvez alguns dos juízes federais que trabalham no Edifício Burger, em St. Paul, Minnesota, onde “Protágoras” está instalada, gostariam que ela desaparecesse. Mas afirmar que ela nunca existiu seria um pouco forçado. No entanto, é exatamente isso que sofistas como Protágoras e Górgias faziam.)

Os sofistas foram tachados ao longo da história como professores gananciosos e imorais, mas isso é polêmica para um curso de história, ou um sobre Platão e sua obsessão por eles. Leonard Peikoff se concentra, em vez disso, nas ideias que eles apresentam — mesmo que sua ideia principal seja a negação de todas as ideias.

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O.P.A.R. – Comentário: A Postura de Voltaire

“O agnóstico trata alegações arbitrárias como assuntos propriamente abertos à consideração, discussão, avaliação. Ele permite que seja “possível” que essas afirmações sejam “verdadeiras”, aplicando, assim, descrições cognitivas a um palavreado que está em guerra com a cognição. Ele exige provas de um negativo: cabe a você, declara ele, mostrar que não há demônios, ou que sua vida sexual não é resultado de sua encarnação anterior como um faraó do antigo Egito.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 170.
(Pode haver alienígenas no lado escuro da lua. Quem sabe? Alegações desprovidas de qualquer evidência devem ser desconsideradas. Não importa o que você sente sobre isso. Tome sua posição com base em sua avaliação da realidade e diga o que você sabe. Você sabe que não há civilização alienígena no lado escuro da lua, não sabe? Ou você vai me dizer que é agnóstico em relação a isso também?)

“Yo no creo en brujas, pero que las hai, las hai”. Isso resume o credo do agnóstico. Isso não é atitude alguma. Isso é ficar em cima do muro. É renunciar à responsabilidade de julgar, de escolher seu caminho, de construir e depois postar-se atrás de suas próprias convicções. Em uma palavra, é evasão. Eu costumava dizer que era agnóstico. Não. Posicione-se. Tenha a coragem de dizer. Seja ousado por uma vez. Eu não sou mais agnóstico. Eu sou ateu.

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O.P.A.R – Capítulo 5: Razão

“Objetivismo não é contra emoções, mas contra emocionalismo. A preocupação de Ayn Rand não é defender o estoicismo ou encorajar a repressão, mas sim identificar uma divisão de trabalho mental. Não há nada errado com o sentimento que se segue a um ato de pensamento; esse é o padrão humano natural e adequado. Há tudo de errado com o sentimento que procura substituir o pensamento, usurpando sua função.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 162.
(Você realmente acha que deveria matar uma barata e ter pena dos gatos nas ruas? Você realmente faz isso porque ponderou todos os fatos? Você mata uma barata porque ela evoca um sentimento ruim em você. Nada mais. O que mais você mata — ou deixa morrer — baseado nos seus sentimentos? No fim das contas, é tudo sobre filosofia — ou a falta dela.)

“Siga a razão”. Se objetividade é aderir à realidade, razão é a faculdade do homem que lhe permite fazê-lo. É a faculdade que processa os dados provenientes da realidade — percepções — na forma humana de cognição — conceitos — através do método humano de cognição — lógica. No entanto, o homem prefere ser guiado por seus sentimentos do que pela razão. E depois ele se pergunta por que o mundo é como é.

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