Um Brevíssimo Preâmbulo para a Filosofia Contemporânea

A “Bíblia Gutenberg”, o primeiro livro substancial impresso no Ocidente. Eu o vejo como uma metáfora para a fé sendo formatada pela tecnologia, um símbolo de uma modernidade incipiente.
(Imagem por NYC Wanderer / CC BY-SA 2.0 / Dessaturado do original)

A modernidade histórica e a filosofia moderna não são sincronizadas. A primeira começa naquela grande confluência de invenções, conquistas e descobertas que caracterizam a segunda metade do século XV, sendo mais importante a imprensa de Gutenberg, a queda de Constantinopla e a descoberta da América; a segunda começa apenas no século XVII com Bacon, Hobbes e Descartes. O humanismo renascentista dos séculos XV e XVI, assim como a Reforma Protestante, só podem ser considerados como um período de transição que leva à filosofia moderna propriamente dita nos séculos XVII e XVIII. Depois que Kant morre (1804), podemos dizer que a razão fracassou e que os fundamentos da irracionalidade tão difundida hoje começam. É esse período de crescente irracionalidade desde Kant até depois das Grandes Guerras que chamaremos aqui de filosofia contemporânea; o período depois disso, você pode dar o nome que quiser.

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Humanismo Cristão: A Crise da Modernidade

Nossa sociedade secular.
(Boekhandel Selexyz Dominicanen, uma igreja católica do século XIII em Maastricht, Holanda, que é hoje uma livraria de luxo. Imagem por FaceMePLS / CC BY 2.0 / Dessaturado do original)

Jacques Maritain começa seu ensaio “Humanismo Cristão” nos dizendo como as ideias na mente de apenas alguns poucos homens moldam uma época. Esse é o poder da filosofia que aprendi que existe e que ignorei toda a minha vida.

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Universalia II

Obrigado, Sr. Copleston.
(Frederick Copleston, (1907 – 1994). / CC BY-SA 1.0 / Contraste aumentado)

Como vimos na citação de Porfírio em Universalia, ele se absteve da luta pela verdade sobre os universais. Mas referindo-se ao problema apenas em relação a gêneros e espécies, penso que ele pode ter criado outro problema, um viés no estudo dos universais que atravessou toda a Idade Média até nossos dias para confundir nossas mentes ignorantes sobre o tema — minha mente ignorante, ao menos.

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Universalia

Debate imaginário entre Averróis e Porfírio.
Eu poderia apostar que o assunto seria o problema dos universais.

Começando com Sócrates e especialmente Platão, o “problema dos universais” (chamado universalia pelos lógicos da Idade Média) tem atormentado a história do pensamento até hoje. Mas o que foi — ou melhor, o que é — exatamente esse problema? Existe realmente um problema? Eu coloquei essa ideia na minha cabeça de que eu preciso me dedicar a este problema, mas a verdade é que eu ainda não entendo completamente a sua importância. O que eu gostaria de ser capaz de fazer é convencer um completo leigo em filosofia de que ele deveria se interessar por esse problema. No momento, acho isso completamente impossível. Abaixo, reproduzo algumas definições do problema que encontrei online apenas para começar a pensar no assunto. O caminho à frente será árduo, então vou começar devagar.

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Caminhos Divinos

Santo Agostinho”, por Peter Paul Rubens (1577-1640).

Agostinho de Hipona (354 – 430), o Santo Agostinho, era originário da província romana do norte da África chamada Numídia, hoje parte da Argélia. Cerca de quarenta anos antes de seu nascimento, em 313, Constantino legalizava o cristianismo; cerca de quarenta anos depois de sua morte, em 476, o Império Romano Ocidental chegava ao fim.

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A Síntese Impossível

Altar dos Pais da Igreja”, por Michael Pacher (c. 1483).

Bertrand Russell, em sua “História da Filosofia Ocidental”, introduz a segunda parte do livro dizendo que a Idade Média é a história do “crescimento e decadência” da síntese católica. Ele acha tão claro o que está sendo sintetizado que esquece de dizer o que é. Mas agora, enquanto releio certas porções do livro, sei que a síntese almejada foi entre e razão. Meu professor de História da Filosofia Medieval acha que ela foi bem-sucedida. Eu, da minha parte, não sei de onde ele tirou essa ideia.

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Uma Breve História da História

Usando uma metáfora ridiculamente simplificada: É como se ambos os escritores estivessem pintando um retrato de uma mulher sentada em uma mesa. Mas enquanto o novelista está pintando de imaginação, e pode dar à mulher quaisquer propriedades, ou raça, ou idade, ou vestido, o historiador está olhando uma mulher jovem e branca de verdade, sentada em uma mesa na calçada ao largo de uma lanchonete em St. Louis…
Susan Wise Bauer, “The Well-Educated Mind”, página 164.
(Auto-Retrato de Aert de Gelder pintando uma mulher velha e feia, 1685. Assim como esse pintor, um historiador não poderia tornar a mulher jovem e bonita.)

SUMÁRIO: O que se segue é um sumário do Capítulo 7 de “The Well-Educated Mind“, por Susan Wise Bauer, entitulado “The Story of the Past: The Tales of Historians (and Politicians)”. Todo o conteúdo (com exceção do meu comentário final) é dela. O leitor interessado faz bem em comprar o seu livro para um tratamento completo sobre a educação liberal que todos deveríamos ter.
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