O Combatente – #5

Ele escuta muitas coisas interessantes, mas, fugazes, elas se vão quase tão rápido quanto chegam; só a morte permanece. Nem mesmo os motivos das mortes, os nomes das guerras ou as datas aproximadas ficam. Nada além do puro e grotesco fato de tantas mortes. Agora, enquanto ele olha para o passado do conforto do futuro, o tempo se comprime, a realidade perde importância, e o absurdo parece pouco mais do que meras palavras, palavras que nem mesmo mais usam tinta e papel.

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A Estória da Civilização: Elementos Morais – Casamento

“O casamento era uma parceria lucrativa, não uma devassidão privada; era uma maneira pela qual um homem e uma mulher, trabalhando juntos, poderiam ser mais prósperos do que se cada um trabalhasse sozinho. Onde quer que, na história da civilização, a mulher tenha deixado de ser um bem econômico no casamento, o casamento decaiu; e às vezes a civilização decaiu com ele.”
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 44.
(Uma família composta pelo pai, a mãe e seus filhos: uma instituição rara hoje.)

RESUMO: A civilização precisa da moral e do casamento, uma instituição que percorreu um longo caminho desde a nacionalização das mulheres e a poligamia predominantemente motivada pela propriedade, até a atual moda da monogamia romântica.

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História da Filosofia – Aula 9: Platão e seus Dois Mundos

“Para tirar Deus da Forma do Bem de Platão, você na verdade tem que fazer duas coisas — mudar o nome e adicionar uma personalidade (o que foi feito pouco depois).”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 9.
O Mundo das Formas de Platão exige ideias inatas, uma alma separável do corpo, revelação mística e a desconsideração dos sentidos. Enquanto eu admiro muito Platão, e gosto muito de ler e pensar sobre seus diálogos, me pergunto quanto mais objetivo o mundo seria se ele nunca tivesse existido.
(Imagem por StockSnap de Pixabay.)

Embora Leonard Peikoff (e o Objetivismo) discorde inteiramente de Platão, ele admite o gênio do filósofo. Platão foi o primeiro a reunir todas as “sugestões” que haviam sido produzidas pelos pré-socráticos e pelos sofistas, além de todos os ensinamentos de Sócrates em um todo coerente. Ao fazê-lo, ele criou a filosofia como ela é, para melhor ou para pior.

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A Estória da Civilização: Elementos Políticos – A Família

“O casamento começou como uma forma da lei de propriedade, como uma parte da instituição da escravidão.”
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 26.
(Mulher chinesa expondo seus “pés de lótus”, prática comum de amarração — e deformação — dos pés das mulheres durante a China imperial, do século X ao XX. Diz a lenda que o objetivo era aumentar o status e a beleza das mulheres.)

SUMÁRIO: Mesmo após o advento do estado, a família continua sendo a unidade política básica da sociedade, mas a mulher, cuja posição fôra fundamental na família, torna-se cada vez mais subordinada ao homem à medida que a agricultura e a propriedade se desenvolvem.

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História da Filosofia – Aula 8: Sócrates e o Problema dos Universais

“Um cachorro, por exemplo, gosta de um osso; ele gosta de vários ossos. Agora, a questão é: por que não lhe ocorre abrir uma loja de ossos, ou iniciar uma ciência de ossos, ossologia, e descobrir de onde vêm os ossos e como os você os obtém? E o problema é que o pobre cachorro não consegue ter a idéia de “ossidade”, entende? Ele obtém esse osso, e depois o próximo — ele esqueceu o primeiro — depois o seguinte e assim por diante. E então o problema dele é que ele está enredado em particulares e ele não consegue ascender aos universais.”
— Leonard Peikoff,  curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 8.
(O “Homem Universal”, por Gerald Gladstone. Sócrates provavelmente não estava pensando nisso quando procurava uma abstração apropriada para o homem, mas eu acho que é uma boa mnemônica para o tópico dos universais. Fonte original: SimonP; CC BY-SA 3.0 / Dessaturado do original)

É quase impossível exagerar a influência de Sócrates na história do pensamento. Ele ensinou Platão, que ensinou Aristóteles; só isso mostraria sua importância, mas, é claro, ele fez muito mais. A maior parte do que sabemos sobre Sócrates, no entanto, é através dos diálogos de Platão, então a verdade é que não sabemos muito sobre ele. Os estudiosos tendem a concordar que os primeiros diálogos representam principalmente o Sócrates histórico, enquanto os diálogos do meio e do final representam o próprio Platão. Seja como for, como um personagem de ficção, um verdadeiro filósofo ou apenas um homem de caráter, Sócrates vem ensinando toda a humanidade por milênios. “A vida não examinada não vale à pena ser vivida”. Isso poderia ser considerado seu lema; hoje, é o meu.

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A Estória da Civilização: Elementos Políticos – Lei

Quando a essa base natural de costumes uma sanção sobrenatural é adicionada pela religião, e os ditames dos ancestrais também são os desejos dos deuses, então os costumes se tornam mais fortes que a lei, e subtraem substancialmente da liberdade primitiva.
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 26.
(“A Execução de uma Judia Marroquina”, pintura de Alfred Dehodencq, 1860. Sol Hachuel, de 17 anos, foi decapitada pela falsa acusação de apostasia, ou seja, a renúncia de sua religião anterior. Treze países, ainda hoje, aplicam a pena de morte para tal “crime”. Sim, estamos em 2019.)

SUMÁRIO: No início, as leis eram os costumes, e o homem não possuía direitos individuais, mas com a propriedade, o casamento e o governo, as leis evoluíram, e o indivíduo surgiu.

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História da Filosofia – Aula 7: O Ceticismo dos Sofistas

“Górgias, que foi o exemplo perfeito de um cético do século XX transplantado para a Grécia antiga […] manteve três proposições básicas: um, nada existe; dois, se alguma coisa existisse, você não poderia saber; três, se você pudesse saber, você não poderia se comunicar. Agora, isso é o que se chama de ceticismo.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 7.
(Eu não gosto de arte moderna. Mas se procurarmos bem, talvez tenha algo para se aprender com ela. A escultura de aço “Protágoras”, de Charles Ginnever, bem poderia ser considerada a concretização de uma ideia filosófica. A escultura muda de forma à medida que os espectadores se movem em torno dela, o jogo de luz e sombra em suas formas triangulares dando vida à estrutura massiva. “Os sentidos enganam”, eu diria que é a mensagem. Mas, agora, tente imaginar alguém saltando dessa ideia malformada (porque não são os sentidos que estão errados, mas os conceitos que geramos a partir deles) para a conclusão de que nada existe. Talvez alguns dos juízes federais que trabalham no Edifício Burger, em St. Paul, Minnesota, onde “Protágoras” está instalada, gostariam que ela desaparecesse. Mas afirmar que ela nunca existiu seria um pouco forçado. No entanto, é exatamente isso que sofistas como Protágoras e Górgias faziam.)

Os sofistas foram tachados ao longo da história como professores gananciosos e imorais, mas isso é polêmica para um curso de história, ou um sobre Platão e sua obsessão por eles. Leonard Peikoff se concentra, em vez disso, nas ideias que eles apresentam — mesmo que sua ideia principal seja a negação de todas as ideias.

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A Síntese Impossível

Altar dos Pais da Igreja”, por Michael Pacher (c. 1483).

Bertrand Russell, em sua “História da Filosofia Ocidental”, introduz a segunda parte do livro dizendo que a Idade Média é a história do “crescimento e decadência” da síntese católica. Ele acha tão claro o que está sendo sintetizado que esquece de dizer o que é. Mas agora, enquanto releio certas porções do livro, sei que a síntese almejada foi entre e razão. Meu professor de História da Filosofia Medieval acha que ela foi bem-sucedida. Eu, da minha parte, não sei de onde ele tirou essa ideia.

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História da Filosofia – Aula 6: Atomismo e a Morte da Mente

“Se não existe uma mente capaz de observar evidências e raciocinar de acordo com as leis da lógica, então as conclusões de todo homem não expressam nada além de reações mecanicistas cegas. Cada homem é então uma máquina — ele é um fantoche físico guiado pelas leis do movimento. […] Ele é um pequeno sistema de bolas de bilhar, na verdade, chocalhando e tremendo por necessidade mecanicista.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 6.
(Materialismo implica determinismo, que, por sua vez, nega a mente. Eu me pergunto como uma mente pôde ter a ideia de negar a si mesma. Fonte original da imagem: Min Then.)

Os pitagóricos tentaram resolver o problema levantado por Heráclito e Parmênides postulando dois mundos: um em fluxo constante, este mundo; e um eterno e imutável, o mundo dos números. Os atomistas tentaram uma reconciliação muito diferente. No processo, tornaram possível o nascimento da ciência moderna. Eles também causaram a destruição da mente.

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