Uma Nota sobre Histórias da Filosofia

Já que eu compartilhei com você ontem um comentário muito impulsivo e rancoroso sobre um livro de história da filosofia, permita-me responder a isso com uma análise muito mais leve, mas tão impulsiva quanto a última. Esta é realmente uma ótima oportunidade para eu adiar novamente meus posts sobre Filosofia Contemporânea — minha prova já é amanhã, então, de fato, não há mais necessidade premente para esses posts. Meu único objetivo era matar dois coelhos com uma só cajadada ao estudar e acrescer o meu blog. Ainda não estou preparado para o idealismo alemão — careço tanto do conhecimento acadêmico quanto da tolerância nesse momento.

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Um Brevíssimo Preâmbulo para a Filosofia Contemporânea

A “Bíblia Gutenberg”, o primeiro livro substancial impresso no Ocidente. Eu o vejo como uma metáfora para a fé sendo formatada pela tecnologia, um símbolo de uma modernidade incipiente.
(Imagem por NYC Wanderer / CC BY-SA 2.0 / Dessaturado do original)

A modernidade histórica e a filosofia moderna não são sincronizadas. A primeira começa naquela grande confluência de invenções, conquistas e descobertas que caracterizam a segunda metade do século XV, sendo mais importante a imprensa de Gutenberg, a queda de Constantinopla e a descoberta da América; a segunda começa apenas no século XVII com Bacon, Hobbes e Descartes. O humanismo renascentista dos séculos XV e XVI, assim como a Reforma Protestante, só podem ser considerados como um período de transição que leva à filosofia moderna propriamente dita nos séculos XVII e XVIII. Depois que Kant morre (1804), podemos dizer que a razão fracassou e que os fundamentos da irracionalidade tão difundida hoje começam. É esse período de crescente irracionalidade desde Kant até depois das Grandes Guerras que chamaremos aqui de filosofia contemporânea; o período depois disso, você pode dar o nome que quiser.

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