Linha Dividida

O mundo sensível: coisas e seus reflexos — meras opiniões.

O homem vive nas sombras. Ele cria opiniões sobre coisas que ele nem mesmo tem certeza se existem. E mesmo essas coisas não são totalmente reais. O cientista consegue transcender o falho mundo dos sentidos — das coisas como nos parecem — e elaborar hipóteses sobre a realidade. Mas somente o filósofo chega à luz e, a partir dela, consegue enxergar as coisas como elas realmente são. Essa é a teoria platônica sobre o mundo, uma mistura fascinante de teoria do conhecimento e metafísica.

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O Problema da Percepção



“Catedral de Rouen”, por Claude Monet.
Eu não preciso nem de cores para deixar claro o meu ponto.

Se existe um mundo cheio de objetos que são independentes do meu próprio corpo ou mente, e se eu posso apenas conhecê-los através dos efeitos que eles têm nos sentidos do meu corpo, por sua vez causando estados mentais de consciência no meu cérebro onde esses objetos são representados, como posso saber que essas representações correspondem aos objetos ou, em outras palavras, que minhas percepções correspondem à realidade?

Potência e Ato

Eu tenho a potência para agir. Eu tenho a potência para escrever. Todo mundo tem. Apenas o ato perfeito não tem mais potência. Um ato é relativo à potência que lhe é própria. O ato perfeito em relação à potência da escrita é Ilíada, Moby Dick, Duna. Potência é imperfeição. A maioria dos atos também é imperfeita, apenas menos. O protótipo do ato imperfeito da escrita é o que estou fazendo agora.

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Uma Nota sobre Histórias da Filosofia

Já que eu compartilhei com você ontem um comentário muito impulsivo e rancoroso sobre um livro de história da filosofia, permita-me responder a isso com uma análise muito mais leve, mas tão impulsiva quanto a última. Esta é realmente uma ótima oportunidade para eu adiar novamente meus posts sobre Filosofia Contemporânea — minha prova já é amanhã, então, de fato, não há mais necessidade premente para esses posts. Meu único objetivo era matar dois coelhos com uma só cajadada ao estudar e acrescer o meu blog. Ainda não estou preparado para o idealismo alemão — careço tanto do conhecimento acadêmico quanto da tolerância nesse momento.

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A Fonte de Todo o Mal

Hoje eu estou correndo com meu estudo (que está muito atrasado) para um teste depois de amanhã sobre filosofia contemporânea, daí o meu post anterior e, espero, os meus próximos. Então eu estava procurando por um único livro do qual eu pudesse extrair, no meu típico “modo quase quase plagiador”, material suficiente para rápidas posts-sumários e um entendimento minimamente decente. Tive a sorte de mencionar isso a um colega que acabara de comprar um livro que parecia ser exatamente o que eu precisava: “Filosofia Alemã 1760-1860: O Legado do Idealismo”, de Terry Pinkard. Dei-lhe uma carona para casa, peguei emprestado o livro (um livro físico de verdade!) e vim para casa, não ansioso para lê-lo, devo admitir, mas apreciando o fato de que eu tinha uma missão que agora poderia ser cumprida. Como eu disse, estou atrasado, por isso estou eu fazendo uma leitura dinâmica, sublinhando apenas o mínimo necessário e nem mesmo tomando notas quando simplesmente tive que parar e escrever este post. A razão é: eu vi o mal. Eu vi o mal na página 44.

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Um Brevíssimo Preâmbulo para a Filosofia Contemporânea

A “Bíblia Gutenberg”, o primeiro livro substancial impresso no Ocidente. Eu o vejo como uma metáfora para a fé sendo formatada pela tecnologia, um símbolo de uma modernidade incipiente.
(Imagem por NYC Wanderer / CC BY-SA 2.0 / Dessaturado do original)

A modernidade histórica e a filosofia moderna não são sincronizadas. A primeira começa naquela grande confluência de invenções, conquistas e descobertas que caracterizam a segunda metade do século XV, sendo mais importante a imprensa de Gutenberg, a queda de Constantinopla e a descoberta da América; a segunda começa apenas no século XVII com Bacon, Hobbes e Descartes. O humanismo renascentista dos séculos XV e XVI, assim como a Reforma Protestante, só podem ser considerados como um período de transição que leva à filosofia moderna propriamente dita nos séculos XVII e XVIII. Depois que Kant morre (1804), podemos dizer que a razão fracassou e que os fundamentos da irracionalidade tão difundida hoje começam. É esse período de crescente irracionalidade desde Kant até depois das Grandes Guerras que chamaremos aqui de filosofia contemporânea; o período depois disso, você pode dar o nome que quiser.

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Universalia II

Obrigado, Sr. Copleston.
(Frederick Copleston, (1907 – 1994). / CC BY-SA 1.0 / Contraste aumentado)

Como vimos na citação de Porfírio em Universalia, ele se absteve da luta pela verdade sobre os universais. Mas referindo-se ao problema apenas em relação a gêneros e espécies, penso que ele pode ter criado outro problema, um viés no estudo dos universais que atravessou toda a Idade Média até nossos dias para confundir nossas mentes ignorantes sobre o tema — minha mente ignorante, ao menos.

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O Combatente – #5

Ele escuta muitas coisas interessantes, mas, fugazes, elas se vão quase tão rápido quanto chegam; só a morte permanece. Nem mesmo os motivos das mortes, os nomes das guerras ou as datas aproximadas ficam. Nada além do puro e grotesco fato de tantas mortes. Agora, enquanto ele olha para o passado do conforto do futuro, o tempo se comprime, a realidade perde importância, e o absurdo parece pouco mais do que meras palavras, palavras que nem mesmo mais usam tinta e papel.

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O.P.A.R. – Capítulo 8: Virtudes (Honestidade)

“A filosofia só pode nos dizer isso: a realidade é uma unidade; se afastar dela em um único ponto, portanto, é afastar-se dela em princípio e, assim, brincar com um pavio aceso. A bomba pode não explodir. O mentiroso pode anular o poder de seu inimigo: aquilo que é, e pode se safar com qualquer esquema; ele talvez vença a batalha. Mas se essas são as batalhas que ele está lutando, ele necessariamente terá que perder a guerra.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 271.
Mentir é declarar guerra à realidade.
(Uma demonstração de uma flame fougasse em algum lugar na Inglaterra, durante a Segunda Guerra Mundial.)

“Honestidade” é a recusa em fingir a realidade, ou seja, em fingir que os fatos são diferentes do que realmente são. Se racionalidade é o compromisso com a realidade, honestidade é a rejeição da irrealidade. O homem racional reconhece que a existência existe; o honesto, que apenas a existência existe.

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