“No Coração das Trevas” de Conrad

O “Rei dos Belgas”, o barco que Joseph Conrad comandou no interior do Rio Congo, 1889.

Eu fiquei muito impressionado com a dualidade de tudo aquilo, pela maneira como você é arrancado da realidade comum e mergulhado em uma muito mais escura; uma que, no final, parece muito mais real do que aquela que você enxerga como verdadeira quando olha para si mesmo.

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Ordem, Dualidade e Escuridão

”Se eu sou o maior dos pecadores, eu sou o maior dos sofredores também.”
— Dr. Jeckyll, em “O Estranho Caso do Dr. Jeckyll e Mr. Hyde”, por Robert Louis Stevenson, página 23.
(Os dois amigos do Dr. Jeckyll conversam com ele da rua abaixo, apenas para vê-lo perder subitamente o controle e bater a janela em suas caras. Quem não tem um Mr. Hyde à espreita na escuridão interior?)

Quão incrível é o poder da ordem! A ordem certa, claro; aquilo que apenas um grande escritor alcança. Pois o que é escrever senão encontrar a sequência correta de palavras em meio ao caos das possibilidades? Se você der uma máquina de escrever a um macaco, dizem, e deixá-lo esmurrar as teclas por todo o infinito, ele quase certamente comporá a Ilíada. No entanto, o homem-o-macaco-pensante precisa de apenas um punhado de anos para criar suas obras-primas. Não se trata apenas de palavras ou frases ou personagens ou tramas. É quase como um crime premeditado, com todas suas maquinações malignas embutidas nas palavras, antecipando sua consumação em uma passagem inspiradora. Foi escrevendo sobre a escuridão – e pensando na escuridão interior – que me lembrei de “O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde” e uma das melhores cenas que já encontrei.

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