História da Filosofia – Aula 8: Sócrates e o Problema dos Universais

“Um cachorro, por exemplo, gosta de um osso; ele gosta de vários ossos. Agora, a questão é: por que não lhe ocorre abrir uma loja de ossos, ou iniciar uma ciência de ossos, ossologia, e descobrir de onde vêm os ossos e como os você os obtém? E o problema é que o pobre cachorro não consegue ter a idéia de “ossidade”, entende? Ele obtém esse osso, e depois o próximo — ele esqueceu o primeiro — depois o seguinte e assim por diante. E então o problema dele é que ele está enredado em particulares e ele não consegue ascender aos universais.”
— Leonard Peikoff,  curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 8.
(O “Homem Universal”, por Gerald Gladstone. Sócrates provavelmente não estava pensando nisso quando procurava uma abstração apropriada para o homem, mas eu acho que é uma boa mnemônica para o tópico dos universais. Fonte original: SimonP; CC BY-SA 3.0 / Dessaturado do original)

É quase impossível exagerar a influência de Sócrates na história do pensamento. Ele ensinou Platão, que ensinou Aristóteles; só isso mostraria sua importância, mas, é claro, ele fez muito mais. A maior parte do que sabemos sobre Sócrates, no entanto, é através dos diálogos de Platão, então a verdade é que não sabemos muito sobre ele. Os estudiosos tendem a concordar que os primeiros diálogos representam principalmente o Sócrates histórico, enquanto os diálogos do meio e do final representam o próprio Platão. Seja como for, como um personagem de ficção, um verdadeiro filósofo ou apenas um homem de caráter, Sócrates vem ensinando toda a humanidade por milênios. “A vida não examinada não vale à pena ser vivida”. Isso poderia ser considerado seu lema; hoje, é o meu.

Continuar lendo

O.P.A.R. – Comentário: Definições e a Bagunça Analítico-Sintética de Kant)

“Como auxílio ao processo de conceitualização, os homens selecionam do conteúdo total do conceito algumas características; eles selecionam as que melhor condensam e diferenciam esse conteúdo em um determinado estágio do desenvolvimento humano. Essa seleção não reduz de forma alguma o conteúdo do conceito; pelo contrário, pressupõe a riqueza do conceito. Pressupõe que o conceito é uma integração de unidades, incluindo todas as suas características.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 102-103.
(Há muita coisa errada na conclusão de Kant de que “devem existir juízos sintéticos a priori”, mas a parte “sintética” dela é devida a uma teoria dos conceitos defeituosa, uma que confunde a definição de um conceito com o seu conteúdo.)

Eu não participo da animosidade de Ayn Rand (e de Leonard Peikoff) contra Kant. No entanto, seu sistema filosófico não faz sentido para mim.

Continuar lendo

O.P.A.R – Capítulo 3: Formação dos Conceitos

“O experimento foi uma tentativa de descobrir a capacidade das aves de lidar com números. Quando os corvos estavam reunidos em uma clareira em algumas florestas, um homem entrou na clareira e caminhou para a floresta. Assim que ele apareceu, os corvos se esconderam nas copas das árvores; eles não sairiam até que o homem retornasse e saísse da área. Então três homens entraram; novamente os corvos se esconderam. Desta vez, apenas dois dos homens saíram e os corvos não saíram; eles sabiam que um ainda permanecia. Mas quando cinco homens chegaram e quatro foram embora, os corvos saíram, aparentemente confiantes de que o perigo estava acabado. Essas aves, ao que parece, poderiam discriminar e lidar com apenas três unidades; acima de três, as unidades ficaram borradas ou fundidas em sua consciência. A aritmética dos corvos, com efeito, seria: 1, 2, 3, muitos.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 105.
(A “epistemologia do corvo”, como Ayn Rand a chamava informalmente, é o princípio subjacente à utilidade fundamental dos conceitos: integrar um grupo de concretos em um único todo mental – um dispositivo para alcançar a economia de unidades.)

Um animal conhece apenas um punhado de fatos concretos e age automaticamente sobre eles. Um homem, em contraste, vai além de suas observações, ele generaliza e identifica leis naturais, ele hipotetiza fatores causais, e ele projeta cursos alternativos de ação e consequências de longo prazo. O homem, em resumo, é um ser conceitual. Essa é a teoria, pelo menos; na prática, vemos animais por toda parte.

Continuar lendo