O Combatente – #3

Ele daria graças a Deus pela vibração em seu bolso, mas ele não é tão hipócrita. Suas crenças estão extremamente escassas hoje em dia: sua Glock 22 na cintura é uma delas; Deus não entra na lista. Mas é com sincera gratidão à deusa Fortuna que ele faz uma das coisas que mais odeia e pega seu celular dentro do bolso — pelo menos seu transe acabou, e ele encontra a decisão necessária para sair do quarto de sua filha. Ele não olha para trás enquanto fecha suavemente a porta.

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Lembrar De Tudo

Lembrar de tudo.
(“Giordano Bruno”, um dos pais da Arte da Memória, por Matteo Mignani / CC BY 2.0)

Uma vez eu brinquei com a ideia de que eu não apenas leria os Grandes Livros do Mundo Ocidental, mas memorizaria tudo. Claro, eu estava me entregando a sonhos impossíveis, mas isso me levou a um universo inteiro de pensamento (literalmente) que eu nunca sonhara existir: a Arte da Memória.

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O Tolo Beligerante

O tolo beligerante.
(“O fantasma do ‘Call of duty’.” / CC BY-SA 4.0)

Desde o início de minha “carreira científica”, eu mantive ao mesmo tempo outra profissão como policial civil estadual. Eu sempre tive um espírito aventureiro e queria fazer algo de bom para a sociedade. Como eu nunca fui muito inclinado para o trabalho de caridade, eu pensei que talvez conseguisse fazer algum bem atirando em pessoas más. Aqui, no Rio, eu sabia que isso não seria muito difícil.

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O Homem Não Educado

O homem não educado.
(“Retrato de Aristóteles”, por Eric Gaba / CC BY-SA 2.5 / Trabalho derivado)

É difícil apontar exatamente como cheguei à Filosofia, mesmo que tudo tenha começado somente há alguns anos. As coisas não estavam boas na companhia (de novo) e eu estava consumido por sentimentos não identificados de ansiedade (como sempre), então eu finalmente tomei coragem, larguei meu emprego científico, e me tornei apenas um policial. Eu não podia continuar vivendo uma vida de mentiras, fingindo que eu era internamente o que parecia ser externamente. Tudo o que eu sabia era que precisava de respostas para perguntas que mal conseguia formular.

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Foda-se! Seu Idiota Perfeccionista

Comigo é sempre dor ou prazer. Sempre fugindo ou mergulhando de cabeça. Eu disse que se eu mudasse os planos, estaria aceitando a derrota. E daí? Vou dizer da maneira mais direta possível: Dez anos atrás, deixei meu melhor amigo para morrer no campo de batalha. Eu nunca aceitei essa derrota. Eu simplesmente me evadi. E agora eu quero fazer o mesmo com esta situação aparentemente muito mais tola. Agora, é apenas sobre o meu caráter; não há vidas envolvidas além da minha. Eu quero perder e não aceitar. Isso é pura evasão — de novo. Foda-se! Eu vou perder, mas vou mudar e vou me adaptar. Eu deveria ter feito isso dez anos atrás. Eu vou começar a fazer isso agora.

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