Potência e Ato

Eu tenho a potência para agir. Eu tenho a potência para escrever. Todo mundo tem. Apenas o ato perfeito não tem mais potência. Um ato é relativo à potência que lhe é própria. O ato perfeito em relação à potência da escrita é Ilíada, Moby Dick, Duna. Potência é imperfeição. A maioria dos atos também é imperfeita, apenas menos. O protótipo do ato imperfeito da escrita é o que estou fazendo agora.

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Quatro Categorias do Ser

Eu ainda não faço ideia do que é uma substância, e só tenho uma noção do que seria um universal. Mas eu sei bem o que é um acidente.

Meu último post sobre a “Metafísica” de Aristóteles não deu muito certo, eu sei. Mas agora vai piorar. Porque eu preciso de uma longa digressão para preparar o terreno para aquela coisa ilusória chamada entendimento. Aristóteles define o conceito de substância primeiro nas “Categorias“, uma obra geralmente considerada anterior à Metafísica, e que deve ser lida primeiro também. Lá ele explica os fundamentos de muitos termos que usa depois em todo o corpus. É lá também onde ele introduz suas famosas dez categorias do ser. Tudo o que quero aqui é chegar à primeira categoria, mas permita-me que eu ande por todo o caminho até lá.

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Que Diabos é Substância?

Um cavalo é uma substância? Um homem é? Que tal uma estátua de cavalo e homem? A matéria subjacente é a substância ou é a sua forma? Ou é o composto da matéria e forma o que uma substância realmente é? Talvez não haja substância. Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas…

Durante a maior parte da minha vida, eu dei preferência a ler não-ficção em relação à ficção, usando o argumento de que uma vez que “a verdade é mais estranha que a ficção”, por que perder meu tempo com “verdades inventadas”? Não preciso dizer que eu estava profundamente enganado. Mas conto isso agora apenas para explicar por que, durante esse mesmo período da minha vida, eu lia não-ficção como se fosse ficção. Eu lia página por página apreciando o mistério do entendimento gradativamente se desdobrar diante dos meus olhos, ansiando pelo final do livro como se o assassino de uma estória de Agatha Christy fosse ser revelado. Foi ingênuo assim (para não dizer estúpido) que três anos atrás fiz uma débil tentativa de enfrentar a “Metafísica” de Aristóteles. O trauma foi tão forte que só agora estou me recuperando. Rapaz, é nessas horas que eu gostaria de acreditar em Deus ou qualquer outra superstição menor! Porque agora vou precisar de toda a ajuda que puder ter para encarar esse tomo.

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O.P.A.R. – Comentário: Homem Qua Homem

“Pode-se dizer que as espécies conscientes inferiores sobrevivem por ‘instinto’, se o termo significar uma forma de ação não escolhida e infalível (infalível dentro dos limites de seu alcance). Sensações e percepções não são escolhidas e são infalíveis. Um instinto, no entanto — seja de autopreservação ou qualquer outra coisa — é precisamente o que um ser conceitual não tem. O homem não pode funcionar ou sobreviver pela orientação de meras sensações ou percepções. Um ser conceitual não pode iniciar uma ação a menos que ele conheça a natureza e o propósito de sua ação. Ele não pode perseguir um objetivo a menos que ele identifique qual é seu objetivo e como alcançá-lo. Nenhuma espécie pode sobreviver regredindo aos métodos de organismos mais primitivos.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 193-194.
(Sanichar, o “menino-lobo”, nos obriga a pensar o que realmente nos faz homens. Se a razão é nosso meio básico de sobrevivência, como ele sobreviveu?)

Como eu disse no meu post maluco sobre “Duna”, razão é A palavra do Objetivismo. O Capítulo 5 de O.P.A.R. estabeleceu que é somente através da razão (não das emoções) que adquirimos conhecimento acerca do mundo; e o Capítulo 6 estabeleceu que é apenas pela razão que o homem sobrevive. Eu não vou mais mergulhar em (i) por enquanto, mas acho que (ii) precisa de um pouco mais de atenção.

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O Livro Esquecido da “Metafísica”

A “Metafísica” de Aristóteles começa dizendo que “Todos os homens desejam por natureza o saber”. Ele, claro, considerava como “homens” um grupo seleto de pessoas — os cidadãos gregos — não a maioria do povo grego formada por escravos — seres que se permitiram conquistar, seres inferiores — muitos menos os bárbaros não gregos. Talvez o problema seja justamente esse: a maioria de nós deve ser descendente dos escravos e, como disse Will Durant, deve ter sido a escravidão que nos preparou para o hábito da labuta. Se assim não fosse, talvez não vivêssemos trabalhando tanto e pensando tão pouco. Porque quando olho à minha volta, não vejo muitas pessoas interessados no saber. Na verdade, não vejo quase ninguém.

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