“No Coração das Trevas” de Conrad

O “Rei dos Belgas”, o barco que Joseph Conrad comandou no interior do Rio Congo, 1889.

Eu fiquei muito impressionado com a dualidade de tudo aquilo, pela maneira como você é arrancado da realidade comum e mergulhado em uma muito mais escura; uma que, no final, parece muito mais real do que aquela que você enxerga como verdadeira quando olha para si mesmo.

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Maritain e Meu Péssimo Humor

Talvez seja o astral terrível em que estou agora, mas foi muito difícil ler Jacques Maritain hoje. Se eu quiser apresentar um artigo na próxima conferência, preciso encontrar algo para escrever sobre ele. Mas, agora que terminei de ler “Humanismo Cristão”, minha impressão é que eu acabei de  escutar um sermão católico.

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Lamentação

Qualquer “primeira vez” depois dos quarenta anos é algo a ser comemorado ou lamentado. Não há meio termo. Hoje, foi a primeira vez na minha vida em que eu fui humilhado. E, você sabe, é impossível alguém te humilhar unilateralmente. Quero dizer, ser humilhado não está sob o controle de outra pessoa. A única coisa que os outros precisam fazer é pegar você fazendo algo errado. O resto é com você. Tudo o que é necessário, então, é que você perceba o quão errado você está. E se você fizer isso, tudo o que lhe resta é lamentação.

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Humanismo Cristão: A Crise da Modernidade

Nossa sociedade secular.
(Boekhandel Selexyz Dominicanen, uma igreja católica do século XIII em Maastricht, Holanda, que é hoje uma livraria de luxo. Imagem por FaceMePLS / CC BY 2.0 / Dessaturado do original)

Jacques Maritain começa seu ensaio “Humanismo Cristão” nos dizendo como as ideias na mente de apenas alguns poucos homens moldam uma época. Esse é o poder da filosofia que aprendi que existe e que ignorei toda a minha vida.

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Culpadamente Sem-Vergonha

Eu estou cometendo um crime. Nesse exato momento.

Se há algum consolo e perdão na confissão, é isso que espero obter enquanto escrevo estas palavras. Mas eu sei que não há; minha consciência é implacável. Meu único recurso é fazer o que todo mundo faz, o que o homem parece ter sido esculpido para fazer desde a sua concepção como espécie: me evadir. Tudo o que eu desejo é que meu irmão não leia este post.

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Universalia II

Obrigado, Sr. Copleston.
(Frederick Copleston, (1907 – 1994). / CC BY-SA 1.0 / Contraste aumentado)

Como vimos na citação de Porfírio em Universalia, ele se absteve da luta pela verdade sobre os universais. Mas referindo-se ao problema apenas em relação a gêneros e espécies, penso que ele pode ter criado outro problema, um viés no estudo dos universais que atravessou toda a Idade Média até nossos dias para confundir nossas mentes ignorantes sobre o tema — minha mente ignorante, ao menos.

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O Combatente – #6

É por isso que ele odeia sair de casa tarde. São cinco da manhã e ele ainda nem chegou à Linha Vermelha. O fluxo de carros convergindo para o seu caminho significa tráfego pesado à frente. As lanternas vermelhas dos carros brilham como olhos de morcegos à noite, um milhão deles em procissão para alcançar seu mestre das trevas. Ele poderia verificar o aplicativo de mapa em seu celular, mas certas coisas é melhor não saber. Ele geralmente se sente bem em ter um horário incomum de trabalho. Isso o ajuda a fingir que não é um mero operário indo e vindo em sua labuta diária, como Sísifo carregando sua rocha para cima e para baixo da montanha. Seu horário geralmente evita o tráfego. Mas hoje — logo hoje — ele terá tempo para deixar de se sentir especial e se juntar ao bando.

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O Combatente – #5

Ele escuta muitas coisas interessantes, mas, fugazes, elas se vão quase tão rápido quanto chegam; só a morte permanece. Nem mesmo os motivos das mortes, os nomes das guerras ou as datas aproximadas ficam. Nada além do puro e grotesco fato de tantas mortes. Agora, enquanto ele olha para o passado do conforto do futuro, o tempo se comprime, a realidade perde importância, e o absurdo parece pouco mais do que meras palavras, palavras que nem mesmo mais usam tinta e papel.

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O.P.A.R. – Capítulo 8: Virtudes (Honestidade)

“A filosofia só pode nos dizer isso: a realidade é uma unidade; se afastar dela em um único ponto, portanto, é afastar-se dela em princípio e, assim, brincar com um pavio aceso. A bomba pode não explodir. O mentiroso pode anular o poder de seu inimigo: aquilo que é, e pode se safar com qualquer esquema; ele talvez vença a batalha. Mas se essas são as batalhas que ele está lutando, ele necessariamente terá que perder a guerra.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 271.
Mentir é declarar guerra à realidade.
(Uma demonstração de uma flame fougasse em algum lugar na Inglaterra, durante a Segunda Guerra Mundial.)

“Honestidade” é a recusa em fingir a realidade, ou seja, em fingir que os fatos são diferentes do que realmente são. Se racionalidade é o compromisso com a realidade, honestidade é a rejeição da irrealidade. O homem racional reconhece que a existência existe; o honesto, que apenas a existência existe.

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Universalia

Debate imaginário entre Averróis e Porfírio.
Eu poderia apostar que o assunto seria o problema dos universais.

Começando com Sócrates e especialmente Platão, o “problema dos universais” (chamado universalia pelos lógicos da Idade Média) tem atormentado a história do pensamento até hoje. Mas o que foi — ou melhor, o que é — exatamente esse problema? Existe realmente um problema? Eu coloquei essa ideia na minha cabeça de que eu preciso me dedicar a este problema, mas a verdade é que eu ainda não entendo completamente a sua importância. O que eu gostaria de ser capaz de fazer é convencer um completo leigo em filosofia de que ele deveria se interessar por esse problema. No momento, acho isso completamente impossível. Abaixo, reproduzo algumas definições do problema que encontrei online apenas para começar a pensar no assunto. O caminho à frente será árduo, então vou começar devagar.

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