História da Filosofia – Aula 9: Platão e seus Dois Mundos

“Para tirar Deus da Forma do Bem de Platão, você na verdade tem que fazer duas coisas — mudar o nome e adicionar uma personalidade (o que foi feito pouco depois).”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 9.
O Mundo das Formas de Platão exige ideias inatas, uma alma separável do corpo, revelação mística e a desconsideração dos sentidos. Enquanto eu admiro muito Platão, e gosto muito de ler e pensar sobre seus diálogos, me pergunto quanto mais objetivo o mundo seria se ele nunca tivesse existido.
(Imagem por StockSnap de Pixabay.)

Embora Leonard Peikoff (e o Objetivismo) discorde inteiramente de Platão, ele admite o gênio do filósofo. Platão foi o primeiro a reunir todas as “sugestões” que haviam sido produzidas pelos pré-socráticos e pelos sofistas, além de todos os ensinamentos de Sócrates em um todo coerente. Ao fazê-lo, ele criou a filosofia como ela é, para melhor ou para pior.

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História da Filosofia – Aula 8: Sócrates e o Problema dos Universais

“Um cachorro, por exemplo, gosta de um osso; ele gosta de vários ossos. Agora, a questão é: por que não lhe ocorre abrir uma loja de ossos, ou iniciar uma ciência de ossos, ossologia, e descobrir de onde vêm os ossos e como os você os obtém? E o problema é que o pobre cachorro não consegue ter a idéia de “ossidade”, entende? Ele obtém esse osso, e depois o próximo — ele esqueceu o primeiro — depois o seguinte e assim por diante. E então o problema dele é que ele está enredado em particulares e ele não consegue ascender aos universais.”
— Leonard Peikoff,  curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 8.
(O “Homem Universal”, por Gerald Gladstone. Sócrates provavelmente não estava pensando nisso quando procurava uma abstração apropriada para o homem, mas eu acho que é uma boa mnemônica para o tópico dos universais. Fonte original: SimonP; CC BY-SA 3.0 / Dessaturado do original)

É quase impossível exagerar a influência de Sócrates na história do pensamento. Ele ensinou Platão, que ensinou Aristóteles; só isso mostraria sua importância, mas, é claro, ele fez muito mais. A maior parte do que sabemos sobre Sócrates, no entanto, é através dos diálogos de Platão, então a verdade é que não sabemos muito sobre ele. Os estudiosos tendem a concordar que os primeiros diálogos representam principalmente o Sócrates histórico, enquanto os diálogos do meio e do final representam o próprio Platão. Seja como for, como um personagem de ficção, um verdadeiro filósofo ou apenas um homem de caráter, Sócrates vem ensinando toda a humanidade por milênios. “A vida não examinada não vale à pena ser vivida”. Isso poderia ser considerado seu lema; hoje, é o meu.

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História da Filosofia – Aula 7: O Ceticismo dos Sofistas

“Górgias, que foi o exemplo perfeito de um cético do século XX transplantado para a Grécia antiga […] manteve três proposições básicas: um, nada existe; dois, se alguma coisa existisse, você não poderia saber; três, se você pudesse saber, você não poderia se comunicar. Agora, isso é o que se chama de ceticismo.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 7.
(Eu não gosto de arte moderna. Mas se procurarmos bem, talvez tenha algo para se aprender com ela. A escultura de aço “Protágoras”, de Charles Ginnever, bem poderia ser considerada a concretização de uma ideia filosófica. A escultura muda de forma à medida que os espectadores se movem em torno dela, o jogo de luz e sombra em suas formas triangulares dando vida à estrutura massiva. “Os sentidos enganam”, eu diria que é a mensagem. Mas, agora, tente imaginar alguém saltando dessa ideia malformada (porque não são os sentidos que estão errados, mas os conceitos que geramos a partir deles) para a conclusão de que nada existe. Talvez alguns dos juízes federais que trabalham no Edifício Burger, em St. Paul, Minnesota, onde “Protágoras” está instalada, gostariam que ela desaparecesse. Mas afirmar que ela nunca existiu seria um pouco forçado. No entanto, é exatamente isso que sofistas como Protágoras e Górgias faziam.)

Os sofistas foram tachados ao longo da história como professores gananciosos e imorais, mas isso é polêmica para um curso de história, ou um sobre Platão e sua obsessão por eles. Leonard Peikoff se concentra, em vez disso, nas ideias que eles apresentam — mesmo que sua ideia principal seja a negação de todas as ideias.

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História da Filosofia – Aula 6: Atomismo e a Morte da Mente

“Se não existe uma mente capaz de observar evidências e raciocinar de acordo com as leis da lógica, então as conclusões de todo homem não expressam nada além de reações mecanicistas cegas. Cada homem é então uma máquina — ele é um fantoche físico guiado pelas leis do movimento. […] Ele é um pequeno sistema de bolas de bilhar, na verdade, chocalhando e tremendo por necessidade mecanicista.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 6.
(Materialismo implica determinismo, que, por sua vez, nega a mente. Eu me pergunto como uma mente pôde ter a ideia de negar a si mesma. Fonte original da imagem: Min Then.)

Os pitagóricos tentaram resolver o problema levantado por Heráclito e Parmênides postulando dois mundos: um em fluxo constante, este mundo; e um eterno e imutável, o mundo dos números. Os atomistas tentaram uma reconciliação muito diferente. No processo, tornaram possível o nascimento da ciência moderna. Eles também causaram a destruição da mente.

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História da Filosofia – Aula 5: Pitágoras e o Mundo dos Números

“…o ponto crucial é a importância vital da matemática na descoberta das leis do mundo, em dar sentido ao universo […] a ciência moderna é em parte um desenvolvimento dessa descoberta dos pitagóricos.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 5.
(A equação de Drake é um argumento probabilístico usado para estimar o número de civilizações em nossa galáxia com as quais a comunicação pode ser possível. Quão louco é isso? Aposto que Drake não teria tido essa ideia se não fosse pelos pitagóricos. Fonte original: Kevin Gill; CC BY 2.0 / Dessaturado do original)

Então, Parmênides criou um problema. O mundo era feito de uma única coisa, mas que parecia mudar, enquanto a Lógica afirmava que isso era impossível. Como conciliar isso em um único mundo? Bem, você não concilia. Existem dois mundos: o “mundo das aparências”, sempre mudando e apreendido pelos sentidos; o mundo “real”, imutável e oculto. E o real, acredite ou não, seria feito de números.

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História da Filosofia – Aula 4: Parmênides e a Lógica da Imobilidade

“Então [de acordo com Parmênides] o mundo é simplesmente uma bola não diferenciada de matéria bem empacotada, imóvel e imutável. Agora, é desnecessário dizer, essa não é a maneira com a qual ele aparece aos nossos sentidos.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 4.
(Há tanto movimento no mundo que é difícil entender como Parmênides chegou a pensar que não há. Contudo, havia lógica por trás do seu raciocínio, e isso gerou um sério problema para a filosofia. Foram necessários cerca de cem anos e Aristóteles para a humanidade encontrar uma solução.)

Heráclito disse: “A mudança é óbvia, portanto, ao inferno com a lógica.” Parmênides disse: “A lógica é óbvia, portanto, ao inferno com a mudança.” Ainda usando as próprias palavras de Peikoff, sua filosofia pode ser resumida pelo princípio “O que é, é, e o que não é, não é, e o que não é, não pode nem ser, nem ser pensado.” Difícil negar essa lógica.

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História da Filosofia – Aula 3: Heráclito e o Mundo das Contradições

Um grande número de crianças vivem nesse tipo de mundo graças à irracionalidade deliberada de seus pais, cujo comportamento é caracterizado por mudanças e flutuações constantes, de forma que nada permanece verdadeiro de um momento ao outro, e por constantes contradições. Essa é a receita perfeita para o mundo heracliteano.
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 3.
(Desde muito cedo na história da filosofia, Heráclito desconsiderou os sentidos como inválidos e aceitou a contradição na realidade. Dois mil e quinhentos anos mais tarde, ainda sentimos os efeitos de tais erros.)

Tales deu origem à filosofia confiando na experiência sensorial e na razão. O próximo filósofo[1]Heráclito – não só seguiu um caminho diferente, mas deslanchou uma reação em cadeia que atravessou a história, derrubando como dominós tudo o que o homem tentou erigir com sua razão. Tudo começou com o problema da mudança e multiplicidade; tudo terminou com a minha sobrinha de treze anos perguntando petulantemente: “Por que não posso simplesmente decidir que sou um menino?”

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História da Filosofia – Aula 2: Tales e o Nascimento da Filosofia

…eles são um monumento não à vida, mas à morte, e a questão no Egito não era quão boa uma vida você poderia viver, mas quão boa uma morte você poderia morrer..
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 2.
(Contraste essa atitude pró-morte com a atitude pró-vida dos gregos: “Antes servo na terra do que rei no mundo dos mortos”, disse o fantasma de Aquiles a Odisseu. A primeira produziu gigantescas tumbas para turistas; a segunda criou a filosofia.)

Filosofia é fazer as grandes perguntas. Mas se elas já são respondidas pelo Estado ou pelo sacerdote mais próximo, para quê o esforço? Desde as grandes dinastias da Suméria e do Egito, a explicação do mundo era dada pelos deuses-reis. A vida era inexoravelmente dura e sofrida, e seria melhor para o homem voltar sua atenção para o outro mundo, para a vida após a morte. Essa maior de todas as evasões do homem não foi uma invenção do cristianismo — basta lembrarmos das pirâmides, aquelas gigantescas tumbas. Melhor se curvar, rezar e implorar do que tentar entender e explicar o mundo. Foi na Grécia do século VI a.c. que tudo isso mudou, e começou com Tales.

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História da Filosofia – Aula 1: Introdução

…um arranha-céu da cidade de Nova York, com tudo que isso representa, com o décimo-terceiro andar numerado com ‘quatorze’, porque treze é um número que dá azar.
— Leonard Peikoff, curso de “História da Filosofia”, ARI, Aula 1.
(Um prédio sem o andar 13. O homem é uma mistura de racionalidade extrema com misticismo irracional. A culpa disso está na filosofia — a solução, também.)

Nessa aula introdutória do curso de História da Filosofia, Peikoff primeiro nos convida a olhar para o mundo de hoje: O que nós vemos?

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