Dedicação Àqueles que Desafiaram a Morte

Jolanta (o nom de guerre de Irena) salvou mais judeus que qualquer outra pessoa durante a guerra, cerca de 2,500. Há melhor exemplo de combatente?
(“Irena Sendlerowa”, por Mariusz Kubik / CC BY 3.0 / Dessaturado do original)

Eu não escrevi as palavras abaixo — eu apenas as digitei. Eu não acho que eu teria a capacidade de transpor meus sentimentos em palavras tão fortes, viscerais e honestas, mesmo se eu tivesse vivido o que esse homem viveu.

 

As palavras que seguem são uma dedicação contida em um livro chamado “Semantography”, de Charles K. Bliss, o inventor da língua chamada Blissymbolics. Ao ler este livro, eu me inspiro cada vez mais pela ideia contida nele, a ideia de uma linguagem universal, uma língua que não pode ser falada, mas apenas compreendida.

Esse homem trabalhou durante sete anos, à noite, depois do seu horário de trabalho, usando sua antiga máquina de escrever e a ajuda de sua amorosa esposa, nutrindo sua visão impossível. Certo ou errado, eu invejo a determinação deste homem. Ela me enche de admiração. Ela me faz sentir que pode haver objetivos mais grandiosos em nossas vidas mundanas, objetivos que visem as partes mais nobres de nossas almas.

Esta é apenas uma pequena homenagem a este homem que não está mais entre os vivos, mas que deixou para trás um fascinante sonho não realizado.

 

DEDICAÇÃO

Este livro sobre um novo tipo de “língua” comum é dedicado àqueles que entendem outra “língua” comum.

Essa outra língua é falada apenas com olhos e corações, e entendida com risco de morte.

Em nosso tempo e em todos os tempos, homens e mulheres responderam a essa língua e morreram por ela.

Na calada da noite — uma batida na porta!
Do lado de fora um ser humano, perseguido e caçado. Um rosto estranho de um país estranho, falando uma língua estranha.
Mas os olhos falam — essa outra língua.
Responder significa morte quase certa para toda a família.

Podemos imaginar os tormentos, o medo, a angústia, o desespero e as agonias daqueles homens e mulheres que responderam a essa língua?

No porão, em meio a lixo e teias de aranha vive um ser humano. Não, não parece mais ser um ser humano. Ele treme, apodrece e decai. Por meses e anos, ele não viu o dourado do sol, o azul do céu ou o verde da terra. Mas seus olhos brilham através da escuridão e encontram os olhos de seu salvador, que lhe traz uma parte de sua própria ração escassa.
Seus olhos falam um com o outro e dão coragem um ao outro. Não tenha medo irmão, irmã! Vamos segurar, aguentar até que — até que os apanhadores chegaram e levaram os dois embora. E deixaram-nos cavar seus túmulos primeiro.

Mas muitos viveram para respirar de novo sem medo.

Para vocês Irmãos e Irmãs, que responderam aquela língua através dos arames farpados de raça, credo, nação, língua e incompreensão — para você este livro é dedicado.

Em seu espírito — o futuro será construído.

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