Maritain e Meu Péssimo Humor

Talvez seja o astral terrível em que estou agora, mas foi muito difícil ler Jacques Maritain hoje. Se eu quiser apresentar um artigo na próxima conferência, preciso encontrar algo para escrever sobre ele. Mas, agora que terminei de ler “Humanismo Cristão”, minha impressão é que eu acabei de  escutar um sermão católico.

Eu acho que a minha fraqueza interior me deixa fascinado com a ideia de Deus. Eu adoraria poder acreditar. De verdade. Mas, talvez, meu fascínio seja pelo homem e sua loucura. Porque quando eu ouço cristãos falando — até mesmo cristãos filósofos — eles me parecem loucos. O texto de Maritain texto parece loucura.

Eu simplesmente não consigo continuar. Especialmente não hoje. Não durante esses tempos difíceis. Eu não sou fraco o suficiente para ficar mais suscetível à fé; pelo contrário. Durante tempos difíceis, sinto a necessidade crescente de reavaliar minha vida, rever minhas premissas, pesquisar os fatos que tomo como garantidos. Em momentos assim, as pessoas me irritam quando falam sobre anjos.

Fiquei feliz em encontrar na metafísica tomista de Maritain ecos objetivistas. Mas eles são apenas ecos. Talvez ainda haja muito o que aprender com ele, mas agora que fui além de sua metafísica para seu humanismo, preciso de uma desintoxicação.

Maritain critica o marxismo de maneira dura (que eu concordo), falando sobre o homem se submeter a uma consciência coletiva, o famoso conceito objetivista da “primazia da consciência” na variedade “social”. Mas ele faz isso ao mesmo tempo em que critica a “falsa” convicção que veio com a Modernidade de que somente o homem poderia realizar sua salvação:

“… Esta salvação exige o abandono da personalidade e a organização do homem coletivo em um único corpo cujo destino supremo é obter domínio sobre a matéria e a história humana.”

“Ele é uma partícula do todo social e vive na consciência coletiva do todo, e sua felicidade e liberdade residem em servir ao trabalho do todo. Esse todo em si é um todo econômico e industrial, seu trabalho essencial e primordial consiste na dominação industrial da natureza, em benefício do próprio todo que, por si só, apresenta valor absoluto e não tem nada acima de si mesmo.”

Pura primazia da consciência social. Mas, imediatamente após, ele fala sobre como este sacrifício ao “titanismo da indústria” levou à animalidade, desespero, à rejeição da razão e do espírito, e então ao racismo e ao nazismo.

Não vou comentar seus trechos políticos no texto, porque ele então expõe uma solução que é completamente desprovida de valor para mim: uma nova civilização cristã, uma nova cristandade. Eu me pergunto se isso incluirá caça às bruxas e cruzes em chamas novamente.

Pode ser o meu mau humor, como eu disse, mas tudo o que ele diz depois de sua análise do marxismo parece-me bobagem. Desculpa.

É estranho. Quanto mais leio sobre o cristianismo e, de certo modo, me vejo mais interessado nele, mais minha rejeição a ele aumenta. Lentamente, percebo essa cegueira universal nos homens, essa aceitação impensada de crenças religiosas, isto é, conjecturas místicas infundadas.

“A dignidade do homem é a de uma imagem de Deus, seus direitos derivam, assim como seus deveres, da lei natural, cujos requisitos expressam na criatura o plano eterno da Sabedoria Criativa. Ferido pelo pecado e morte do primeiro pecado de sua raça, cujo peso pesa sobre todos nós, ele é causado por Cristo para se tornar da raça e linhagem de Deus, vivendo pela vida divina, e chamado a entrar pelo sofrimento e amor na própria obra de redenção de Cristo.”

Isso é um padre ou filósofo falando? Mais uma vez, isso não significa nada para mim, ou, pior que isso, significa pura irracionalidade.

Maritain odeia o sacrifício do homem em prol de uma consciência coletiva, mas então ele diz o seguinte:

“O significado desse paradoxo é que o homem sabe muito bem que a morte não é um fim, mas um começo. Se penso na vida perecível do homem, é algo naturalmente sagrado, mas muitas coisas ainda são mais preciosas: o homem pode ser obrigado a sacrificá-la por devoção ao próximo ou por seu dever para com seu país.

Muitas coisas mais preciosas que minha vida? Não.

Eu sei “muito bem” que minha morte é um começo? Não.

Eu posso ser “obrigado” a sacrificar minha vida? Não.

Por devoção ao próximo? Não.

Por dever ao meu país? NÃO!

E depois ele reclama do comunismo e do nazismo.

Quanto mais eu leio sobre outras filosofias e outros filósofos, mais concordo com o objetivismo e com a Ayn Rand.

Mas, de novo, talvez seja apenas o meu mau humor hoje.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s