De Volta A Que Coisas Mesmas?

Por favor, olhe para o mundo!
(Gorilla Selfie, por Anthony Poynton)

Não vou fingir aqui que eu compreendo plenamente o existencialismo, a fenomenologia ou o tomismo — eu sou apenas um estudante tentando subir os primeiros degraus de uma longa escada. Mas a ignorância funciona bem como um primeiro filtro. A faca intelectual cega, que é tudo que eu tenho com que trabalhar por enquanto, impede uma elaboração complexa de pensamento que possa justificar todos os tipos de absurdos. Então, é navegando (ou me afogando) em meio a essa ignorância que faço essa pergunta: Por que as filosofias mais subjetivas tentam se disfarçar como objetivas? Elas não olham para o mundo; elas olham para elas mesmas.

 

Este é o lema da Fenomenologia: “Vamos voltar às coisas mesmas!”

E este é o lema do existencialismo: “Existência precede a essência.”

Mas coisa fenomenológica é coisa como percebida pelo homem, coisa após o homem suspender todo o seu julgamento sobre a realidade da coisa e focar no modo como ela aparece para ele, coisa como um fenômeno de consciência. Isso é “voltar às próprias coisas”? É apenas minha ignorância falando aqui? A maioria dirá que é (para ambas as perguntas), mas eu não me importo.

E a “coisa” sobre a qual Sartre fala em seu famoso ensaio “Existencialismo é um humanismo” é exatamente o que o título sugere: o homem. O existencialismo é sobre o homem que primeiro existe e depois “se encontra e emerge no mundo” para ganhar sua essência. OK, essa pode ser uma boa filosofia para os psicanalistas ou para os homens perturbados que saem de uma guerra mundial devastadora ou para os “millennials” que dependem tanto da adoração alheia de seus perfis on-line que nunca chegaram a saber quem são, mas eu não entendo porque Jacques Maritain desperdiça seu tempo em “Existência e o Existente” refutando uma metafísica tão incompleta.

A fenomenologia fala sobre as coisas porque as coisas são geralmente associadas à realidade, então, estudando as coisas em nossas mentes, ela está, na verdade, dizendo que está estudando a realidade em si, mesmo que seja apenas a minha realidade ou a sua realidade. Converse com a maioria dos fenomenólogos / psicólogos e você verá que a realidade é simplesmente um conceito fora de moda, embora eles não o admitam.

O existencialismo se esquece da realidade em si e fala sobre o homem como o mais ortodoxo dos antropocentristas antes da era de Copérnico. Eu me pergunto o que aconteceria com essa filosofia se seres de inteligência muito maior fossem encontrados em outro planeta (para dizer a verdade, eu não sei o que aconteceria com a maioria das filosofias e religiões se isso acontecesse). Mais uma vez, a maioria lerá minhas observações com irônico desprezo, mas é preciso tanta sofisticação para chegar a uma melhor interpretação do existencialismo que eu simplesmente não me importo em alcançá-la — apenas olho para as pessoas e vejo o efeito de tais filosofias.

No entanto, eu admito claramente: também é necessário uma grande sofisticação de pensamento para entender completamente a metafísica de Maritain — mas, desta vez, eu me preocupo sim em alcançá-la.

Filósofos desde Descartes, e especialmente desde Kant, e a maioria dos leigos que são filhos das filosofias modernas e pós-modernas parecem ter medo de olhar para a realidade. Eles desconfiam dos sentidos como uma desculpa para se trancarem dentro de suas próprias mentes em busca da sua verdade, uma verdade sem qualquer referência. Eles reviram suas consciências procurando o significado da existência, ao invés de simplesmente abrirem os olhos e partirem do que vêem. Eu sei que não é assim tão fácil alcançar o conceito do ser qua ser, mas também sei que sem encararmos nossos sentidos como nossa “intuição primária”, como Maritain colocou, é simplesmente impossível alcançá-lo. Nós devemos começar por eles e então trabalhar duro para compreender a existência em sua plenitude.

Maritain diz que precisamos de uma “intuição intelectual do ser” para isso. Eu ainda estou lutando com esse conceito. Mas algo me diz que estou em uma ótima posição para entendê-lo um dia. Quando a inexistência de uma morte violenta está a milímetros de você e se aproximando rapidamente, tem-se uma grande oportunidade para compreender o ser, mesmo que apenas em contraste com a outra alternativa passando por você.

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