História da Filosofia – Aula 9: Platão e seus Dois Mundos

“Para tirar Deus da Forma do Bem de Platão, você na verdade tem que fazer duas coisas — mudar o nome e adicionar uma personalidade (o que foi feito pouco depois).”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 9.
O Mundo das Formas de Platão exige ideias inatas, uma alma separável do corpo, revelação mística e a desconsideração dos sentidos. Enquanto eu admiro muito Platão, e gosto muito de ler e pensar sobre seus diálogos, me pergunto quanto mais objetivo o mundo seria se ele nunca tivesse existido.
(Imagem por StockSnap de Pixabay.)

Embora Leonard Peikoff (e o Objetivismo) discorde inteiramente de Platão, ele admite o gênio do filósofo. Platão foi o primeiro a reunir todas as “sugestões” que haviam sido produzidas pelos pré-socráticos e pelos sofistas, além de todos os ensinamentos de Sócrates em um todo coerente. Ao fazê-lo, ele criou a filosofia como ela é, para melhor ou para pior.

 

Assim como para Sócrates, o verdadeiro conhecimento para Platão (seu melhor e mais famoso discípulo) deve se concentrar não nos particulares, mas nos universais. Lembre-se de que os pré-socráticos queriam entender mudança e multiplicidade. Os universais são verdades imutáveis, eternas e indestrutíveis; eles são o “um nos muitos”, o denominador comum unificador da multiplicidade de entidades. Os particulares, por sua vez, são as muitas entidades que vemos ao nosso redor, mudando o tempo todo em todos os aspectos e a cada instante, formando o “mundo de fluxo” de Heráclito.

Além disso, Parmênides, Heráclito e praticamente todos os filósofos pré-socráticos, incluindo os sofistas, concordaram que os sentidos enganam; eles fazem o mundo parecer mudar quando está realmente estável, ou imóvel quando é fugaz e instável, ou mostram uma coisa para você e outra para mim — esse é o mundo das aparências, o mundo físico dos particulares apreendidos pelos sentidos. Os universais, portanto, não podem ser físicos; devem ser entidades imateriais apreendidas apenas pela faculdade superior do homem: seu intelecto.

Em uma palavra, os universais são perfeitos.

Mas nada neste mundo é perfeito. Se uma coisa muda, não é perfeita, porque se fosse, simplesmente ficaria parada, não lhe faltaria nada. No entanto, adquirimos o conceito de perfeição de alguma forma. Como? Deve haver um mundo de universais perfeitos que tenhamos contemplado em algum momento antes desta vida: o Mundo das Ideias ou Formas. O mundo das formas é o verdadeiro; o mundo em que vivemos é apenas uma imitação, uma projeção do mundo real.

Para explicar a origem do mundo, Platão conta o mito do Demiurgo, um conto que é o precursor de muitas visões religiosas. Essa entidade divina dispôs e organizou a matéria, moldando-a como um arquiteto, usando as Formas perfeitas para produzir o máximo de ordem e harmonia que pudesse. E essa foi a fonte real da leis naturais que observamos no mundo. Essa é a versão mais primitiva do que mais tarde se tornou o “argumento do design” para a existência de Deus.

As formas são, portanto, logicamente relacionadas entre si dentro de um sistema integrado. As ciências são, na verdade, tentativas de descobrir a estrutura desse sistema, primeiro assumindo certas relações entre as formas e, em seguida, tentando deduzir suas conseqüências.

Agora, diz Platão, isso representa um problema: a menos que possamos validar as premissas básicas de cada ciência, todo o nosso conhecimento permanecerá hipotético. Precisamos de algum ponto fundamental a partir do qual possamos deduzir os axiomas das várias ciências individuais: uma forma fundamental. Platão chamou essa forma última de a “Forma do Bem”, já que o bem é aquilo que tudo almeja. Metafisicamente, é o propósito de toda existência, o propósito do universo. Epistemologicamente, é o axioma fundamental de todo conhecimento.

Para compreender a Forma do Bem, você deve transcender o intelecto e ter uma intuição, uma visão que iluminação plena, um tipo de clarividência que se você não a possui, não há nada que alguém possa dizer para convencê-lo. Isso, é claro, é misticismo, e Platão pode ser considerado o pai do misticismo na filosofia ocidental.

“Nosso mundo não é real.”

Essa infeliz ideia de um gênio assumirá muitos disfarces ao longo da história do pensamento, e acabará se transformando nos subjetivismo e relativismo que vemos em nossa era.

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