O.P.A.R. – Capítulo 7: O Bem

“Para que fim um homem deve viver? Por qual princípio fundamental ele deve agir para atingir esse objetivo? Quem deve lucrar com suas ações? As respostas a estas questões definem o valor último, a virtude primária e o beneficiário particular sustentados por um código ético e revelam, assim, sua essência. […] O valor final é a vida. A principal virtude é a racionalidade. O beneficiário adequado é si mesmo.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 206.
(Diógenes Sentado em sua Manilha, por Jean-Léon Gérôme (1860). A vida do homem qua homem é o padrão objetivista de valor, não a vida a qualquer preço. Uma coisa posso dizer com certeza: Diógenes não era um Objetivista.)

A ética fornece “um código de valores para guiar as escolhas e ações do homem — as escolhas e ações que determinam o propósito e o curso de sua vida”. Valor, de acordo com Ayn Rand, é “aquilo que se age para ganhar e/ou manter. Valor pressupõe uma entidade capaz de agir para alcançar um objetivo diante de uma alternativa. Onde não existe alternativa, não há objetivos e valores possíveis. A alternativa fundamental da vida ou da morte é a pré-condição de todos os valores. Isso mostra que a vida deve ser o nosso valor final, algo a ser perseguido como um fim em si mesmo, o padrão para todos os outros valores.

“Entes direcionados por objetivos não existem para buscar valores; eles buscam valores para existir.” Eles fazem isso porque, tacitamente ou não, reconhecem a vida como sua razão última para agir. Apenas o homem surgiu com “anti-razões” para não viver qua homem, para não permanecer no reino da realidade. Aceitar a vida como o valor final é aceitar a realidade como primária.

O homem, portanto, deve olhar para a realidade para descobrir os valores que sua vida requer. O bem é um aspecto da realidade em relação ao homem que deve ser descoberto, não revelado a ele ou decidido pelo que mais lhe agrada no momento. O homem tem que escolher seu curso na vida através de uma avaliação dos fatos da realidade por sua própria consciência de acordo com um padrão racional de valor — sua própria vida. O propósito da moralidade é guiá-lo nesse processo. Os valores, portanto, não são intrínsecos às “coisas-em-si” nem subjetivos de acordo com os caprichos do homem: são objetivos.

Mas se os valores são objetivos, assim como conceitos, eles devem ser formados pela integração e abstração de percepções, em última análise, do contexto completo de conhecimento. O homem só é capaz de reter todo esse conhecimento, mantendo-o em pronto emprego, através de princípios. Um princípio é uma verdade geral da qual dependem outras verdades. Os princípios morais identificam a relação com a sobrevivência do homem das várias escolhas humanas básicas, permitindo que o homem aja e escolha focalizar no longo prazo. A única alternativa à ação governada por princípios morais é a ação expressando um impulso de curto prazo. Mas o curto prazo, visto sob a ótica do longo prazo, é autodestrutivo. A vida do homem significa vida de acordo com os princípios da sobrevivência humana, ou seja, valores racionais de longo prazo.

Agir por princípio é em si uma expressão de racionalidade; é uma forma de ser governado pela sua própria faculdade conceitual, de agir de acordo com suas próprias conclusões racionais com o propósito de manter e aproveitar sua própria vida. Portanto, o objetivismo defende o egoísmo — a busca racional do interesse próprio. Isso significa manter a vida do homem como o padrão de valor que define “interesse próprio” e a racionalidade como a principal virtude que define o método para alcançá-lo.

Mas o egoísmo, pelo significado objetivista do termo, não é fazer o que você quer, em detrimento a todos os outros. A existência social racional e responsável é um grande valor para a vida do homem. O egoísmo nunca pode se igualar à evasão de princípios. Muito menos pode significar fazer o que você sente que deve; o fato de você sentir isso não necessariamente torna uma ação compatível com seus próprios interesses, pelo menos não com seus interesses racionais e promotores da vida. O “bem” objetivista é agir guiado por princípios racionais e morais — a integração de valores objetivos e baseados na realidade — a fim de sustentar sua própria vida.

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