O.P.A.R – Capítulo 6: A Natureza Metafísica do Homem

“A razão é a ferramenta de sobrevivência do homem. Da mais simples necessidade à mais alta abstração, resume ‘A Nascente’, ‘da roda ao arranha-céu, tudo o que somos e tudo o que temos vem de um único atributo do homem — a função de sua mente racional’.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 198.
(Uma caçada de mamute pré-histórica mostrando um grande número de homens usando flechas, lanças e facas para superar um único mamute. Eles poderiam fazer isso por instinto? Não. Talvez pudessem quando eles eram macacos. Mas no momento em que deixaram de ser macacos, sua sobrevivência passou a depender de suas mentes. O homem é o animal racional, “porque o homem é o organismo que sobrevive pelo uso da razão.”)

Um sistema de pensamento deve fornecer uma compreensão filosófica da natureza do homem. A natureza metafísica do homem, como Ayn Rand colocou, é o que liga os amplos princípios abstratos na base de qualquer sistema às decisões práticas em seu ápice. Se você não souber o que você é, você não poderá decidir corretamente o que fazer em nenhuma situação determinada. Por exemplo, se você é uma célula de um todo maior, seja da Sociedade ou de Deus, você se comportará de acordo com os ditames de um deles; se você é “apenas” um indivíduo, você agirá como um.

A diferença mais fundamental entre os entes que encontramos no mundo é se eles são animados ou inanimados. As ações de um organismo vivo são geradas por ele próprio, e são direcionadas a um objetivo; elas são iniciadas pelo organismo com o objetivo de alcançar um fim. Mas “fim” ou “objetivo” não é sinônimo de “propósito”; o segundo se aplica apenas aos objetivos dos seres conscientes, que sabem o que buscam. Os organismos vivos podem e devem agir para alcançar objetivos, porque seres vivos devem enfrentam algo que não diz respeito a objetos inanimados: a alternativa da vida ou morte. “A existência da matéria inanimada é incondicional, a existência da vida não é: ela depende de um curso específico de ação”.

Todo organismo vivo tem, portanto, um meio de sobrevivência. Pode-se dizer que as espécies conscientes inferiores sobrevivem pelo “instinto”, mas o instinto, seja de autopreservação ou qualquer outra coisa, é precisamente o que um ser conceitual não possui. O homem não sobrevive ajustando-se ao que lhe é dado pela existência. Ele não está, por exemplo, preparado para vencer os animais usando sua própria força e nada mais. Os objetos de que necessita para vencer os animais — e, portanto, sobreviver — não estão prontos. Eles devem ser criados pela ação humana. Eles devem ser produzidos. E isso envolve um tipo especial de conhecimento: o conhecimento conceitual.

Se a razão é a faculdade do homem de conhecer a realidade, e se o homem é um organismo que sobrevive por meio de seu conhecimento (e consequente ação), a conclusão deve ser que a razão é a ferramenta básica de sobrevivência do homem. A mente é indispensável para a vida humana. Integrar os dados provenientes da realidade em abstrações e conceitos não é um luxo, mas uma necessidade. O pensamento é o guia do homem para a ação. A razão é um atributo prático. A mente adquire conhecimento e define objetivos; o corpo traduz essas conclusões em ação. Não há dicotomia mente-corpo. O homem, nas palavras de Ayn Rand, é “uma entidade indivisível, uma unidade integrada de dois atributos: matéria e consciência”.

Razão não é um atributo do coletivo, mas apenas do indivíduo. O pensamento é um processo iniciado e guiado pelo livre-arbítrio de um homem específico — aquele que está pensando. A noção de uma “consciência coletiva” é tão arbitrária quanto a de uma “consciência sobrenatural”. Ambas as noções representam a primazia da consciência. Não. O indivíduo é soberano. É sua própria faculdade cognitiva que determina suas conclusões, seu caráter, sua vida. É o próprio homem que se cria, que se governa, e que é responsável por suas atitudes. O determinismo, em qualquer de suas variantes, é inválido; todas negam a natureza metafísica de um ser racional.

“Homem qua homen é um herói — se ele se fizer um.”

 

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