Truby e o Argumento Moral

Ah, quão complexo é escrever ficção! Escrever qualquer coisa, na verdade. John Truby, em “A Anatomia da Estória”, diz que eu preciso criar crescimento moral, mas como é que alguém sabe como crescer moralmente em primeiro lugar? É exatamente por isso que comecei a escrever; o porquê de eu estar escrevendo nesse momento — para evoluir moralmente. Eu preciso estar familiarizado com as palavras para poder expressar minha vida através delas, para que eu possa aprender a entendê-la. A única solução que eu prevejo é crescer enquanto escrevo. Mais uma vez, quão complexo!

Você deve expressar seu tema, diz Truby, em uma única linha — sua linha temática — para que possa servir como um guia para orientar sua trama. Sua trama acabará por ser construída em torno de sua linha temática, e você vai usá-la para se certificar de que cada ação, volta ou reviravolta, enquanto surpreende e entretem o público, expressa o tema maior. Tema é a visão do autor de como agir no mundo — é a sua visão moral.

Agora você deve expressar a linha temática dramaticamente, e você o faz principalmente através da teia de personagens que você criou. Cada personagem deve ser uma variação do tema, cada um possuindo valores que se chocam com o do herói. É através deste conflito, enquanto competem pelo mesmo objetivo, que o tema é expresso. A princípio, não está claro quem entrará em conflito e como, mas à medida que a estória avança, o conflito aumenta e a estrutura da estória começa a convergir. Ao mesmo tempo, uma diferença de valores entre os personagens começa a emergir, então o tema passa a se expandir. Tanto a estrutura quanto o tema são epitomizados na decisão moral do herói, uma escolha entre dois modos de agir dados por seu problema moral central, geralmente durante uma batalha final contra seu principal oponente.

Ainda assim, durante a maior parte da estória, o tema está em grande parte oculto; está crescendo silenciosamente nas mentes do público, e somente os atingirá com força total no final. E porque o tema foi expresso principalmente através da estrutura, ele parece emergir “da própria alma da audiência, e não como se tivesse sido imposto a eles como um sermão cansativo.”

A estratégia básica do argumento moral tem diversas variantes, dependendo da forma da estória, da estória em particular e do escritor específico, e os escritores avançados fazem bem em combinar algumas dessas formas em uma mesma estória. Mas no nível mais avançado de argumento moral no contar de estórias está o escritor que cria uma visão moral única. Não consigo deixar de pensar em “A Revolta de Atlas”, de Ayn Rand. É claro que essa é uma obra de ficção filosófica, então o argumento moral é muito mais importante do que em um trabalho de ficção “normal”, mas, ainda assim, a maneira como ela o expressa em quase todas as frases é impressionante. Ela até faz um “sermão cansativo” no final, através do discurso de John Galt, mas nessa hora você já está tão absorto no tema que dá as boas-vindas a essas palavras explícitas que fazem com que tudo se encaixe.

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