O.P.A.R – Capítulo 5: Razão

“Objetivismo não é contra emoções, mas contra emocionalismo. A preocupação de Ayn Rand não é defender o estoicismo ou encorajar a repressão, mas sim identificar uma divisão de trabalho mental. Não há nada errado com o sentimento que se segue a um ato de pensamento; esse é o padrão humano natural e adequado. Há tudo de errado com o sentimento que procura substituir o pensamento, usurpando sua função.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 162.
(Você realmente acha que deveria matar uma barata e ter pena dos gatos nas ruas? Você realmente faz isso porque ponderou todos os fatos? Você mata uma barata porque ela evoca um sentimento ruim em você. Nada mais. O que mais você mata — ou deixa morrer — baseado nos seus sentimentos? No fim das contas, é tudo sobre filosofia — ou a falta dela.)

“Siga a razão”. Se objetividade é aderir à realidade, razão é a faculdade do homem que lhe permite fazê-lo. É a faculdade que processa os dados provenientes da realidade — percepções — na forma humana de cognição — conceitos — através do método humano de cognição — lógica. No entanto, o homem prefere ser guiado por seus sentimentos do que pela razão. E depois ele se pergunta por que o mundo é como é.

O que o homem não consegue ver é que as emoções (aqui, usadas como sinônimo de sentimentos) são consequências geradas por conclusões intelectuais internalizadas anteriormente. Elas não são independentes da mente do homem. Uma sensação, ao contrário, é uma experiência transmitida por meios puramente físicos; é independente das ideias. Calor, frio, contato corporal, dor são sensações automáticas. Felicidade, tristeza, amor, medo, por sua vez, são emoções que seguem uma cadeia interveniente de ideias e juízos de valor.

Primeiro, percebemos ou imaginamos algo. Nós abrimos nossos olhos ou evocamos uma lembrança. Nós vemos um corpo branco estirado em uma superfície escura. Em segundo lugar, identificamos os objetos da percepção. Nós já adquirimos um vocabulário de conhecimento conceitual sobre o mundo que nos permite entender automaticamente o que vemos. Há um gato morto na rua. Em terceiro lugar, avaliamos os objetos. Agora, isso é crucial: nós também automatizamos uma miríade de juízos de valor ao longo de nossas vidas, que agora estão presentes em nosso subconsciente. Nossas visões a respeito do homem, da vida e da realidade, sejam elas explícitas ou implícitas, inteiras ou apenas parciais, formadas após a identificação de fatos ou por mera implicação, todas estas constituem a programação fundamental do nosso subconsciente, os verdadeiros juízos de valor operativos em nossas mentes — mesmo que não nos demos conta disso. Você gosta de gatos — provavelmente só porque são peludos e têm olhos lindos, a mesma razão pela qual você não gosta de baratas — portanto avalia o que vê como triste. Em quarto lugar, esses juízos de valor geram uma resposta. Você sente pena do gato, mas não o suficiente para verificar se está realmente morto, e segue em frente. Em última análise, é a nossa visão filosófica do mundo — mal formada, pervertida como seja — que molda nossas emoções.

A razão é uma faculdade volitiva da consciência. Em contraste, a emoção é uma faculdade de mera reação às nossas percepções. Ela não tem poder de observação nem meios de acesso independente à realidade. Ela não tem como orientar seu próprio curso ou monitorar seu relacionamento com os fatos. Quando um homem tem um certo sentimento, isso significa apenas que, em algum momento e de alguma forma, ele chegou a uma certa ideia que agora está armazenada em seu subconsciente. Essa ideia não tem necessariamente nenhuma relação com a verdade.

Alegações baseadas em pura emoção são arbitrárias. Verdadeiro é o que reflete a realidade, como comprovado por um conjunto de evidências. É dito “verdadeiro” porque pode ser integrado sem contradição ao contexto total. O arbitrário, no entanto, não tem relação com evidência ou contexto. Os termos “verdadeiro” ou “falso” não se aplicam. Aquele que aceita uma ideia arbitrária não o faz porque avalia sua lógica subjacente, mas sim porque avalia sua congenialidade. Portanto, as emoções não fornecem evidências para uma conclusão racional — elas não são ferramentas de cognição.

A emoção é essencial para a vida do homem — é o seu prêmio por viver uma vida racional — mas seu papel não é a descoberta da realidade. O da razão é. Você precisa consultar mais do que seus sentimentos para avaliar se deve matar uma barata, um gato ou um homem.

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