Mestres Por Toda Parte

Os Grandes Livros do Mundo Ocidental — “Mestres por toda parte”.

Sempre ouvi falar de Aristóteles, Platão, Dante, Spinoza e Kant, mas nunca pensei que pessoas “normais” devessem lê-los. Eles pertencem à História, e o que quer que eles tenham contribuído para a sociedade já está embutido em nossas vidas cotidianas, já tendo influenciado quem fez o que tinha que ser feito para criar a era tecnológica em que vivemos e a sociedade pseudo-civilizada e caótica em que vivemos. No que dizia respeito a mim, eu não tinha que estudar Pitágoras — tudo que eu precisava saber era como calcular a hipotenusa. Na verdade, tudo o que precisamos agora é pressionar o botão correto em uma calculadora ou usar o comando certo em qualquer linguagem de programação comum. Eu sempre fui um homem prático. Eu faço coisas. Eu não fico sentado em casa na minha poltrona absorto em pensamentos. Por que eu deveria ler esses livros arcanos e complexos? Além disso, eu sabia que não entenderia muito, mesmo se tentasse.

Mas aquele livro que mencionei, o livro recursivo, me ensinou mais do que técnicas de leitura. Ele me contou uma estória quase fantástica sobre livros que você não pode esgotar mesmo com a melhor leitura possível, livros que você não pode esquecer, livros que crescem com você — os Grandes Livros. Mais do que isso, ele deixou claro o motivo pelo qual eu deveria lê-los. E ao me familiarizar com a importância daqueles livros, com sua eterna contemporaneidade, com seus quase infinitos ensinamentos ocultos, eu capitulei — eu sabia que teria que me tornar um estudante novamente. Percebi com uma certeza perfurante que nunca havia lido nada grandioso em minha vida, e, por isso, concluí, havia aprendido tão pouco todos esses anos. Eu então rapidamente devorei o que pude por alguns dias — um pouco de Homero, Platão e Aristóteles. Às vezes, aplicava as técnicas de leitura que aprendera, mas, em geral, percorria as páginas meio compreendendo, meio admirando, apenas para captar a essência, apenas para me convencer de que perdera tempo demais. Eu realmente havia perdido. E somente os deuses poderão saber quais foram as consequências da minha ignorância.

Era como se uma porta para o centro da Terra tivesse sido brevemente aberta para mim. Enquanto espiava seu interior, pude ver lá embaixo todos esses grandes homens em profusa conversação, e ao redor deles, como imagens fantasmagóricas que emanavam de suas auras, pude ver tudo que a humanidade havia produzido, da roda ao avião, aos computadores, ao copo de uísque que eu tinha na minha mão. E eu mal conseguia segurar minhas lágrimas. Eu reconheci o sentimento. Décadas antes, quando eu era criança, na casa de minha avó nas montanhas, pela primeira vez eu fiquei sabendo, enquanto assistia a um documentário sobre o acelerador de partículas abaixo de Genebra, que os homens podiam produzir matéria a partir de energia. O mesmo tipo de lágrimas tentou escapar de mim então — as lágrimas de uma criança ignorante em profunda reverência pela genialidade dos homens.

Agora, enquanto eu admirava aquela grande conversa, eu podia ver ondas de conhecimento se propagando através do núcleo de metal da Terra, como se reunissem energia estática suficiente para primeiro navegar através do manto rígido, depois pela astenosfera dúctil em direção à crosta terrestre quebradiça e, finalmente, para a superfície externa do planeta, onde elas inspiraram e ensinaram e exortaram os homens através dos tempos. Onde quer que eu olhasse agora, mesmo nesses tempos imorais, via mestres por toda parte.

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