O Homem Não Educado

O homem não educado.
(“Retrato de Aristóteles”, por Eric Gaba / CC BY-SA 2.5 / Trabalho derivado)

É difícil apontar exatamente como cheguei à Filosofia, mesmo que tudo tenha começado somente há alguns anos. As coisas não estavam boas na companhia (de novo) e eu estava consumido por sentimentos não identificados de ansiedade (como sempre), então eu finalmente tomei coragem, larguei meu emprego científico, e me tornei apenas um policial. Eu não podia continuar vivendo uma vida de mentiras, fingindo que eu era internamente o que parecia ser externamente. Tudo o que eu sabia era que precisava de respostas para perguntas que mal conseguia formular.

Então fiz o que sempre faço quando enfrento uma decisão difícil: fui ao meu Oráculo do Delfos — Amazon. Lá eu sabia que não encontraria respostas reais, mas pelo menos poderia mentir para mim mesmo. A compra de livros sempre forneceu a sensação reconfortante de que estou fazendo algo sobre meus problemas. Mas desta vez, tive uma surpresa agradável. Eu encontrei um livro recursivo, um livro sobre como ler livros. E, como Robert Frost em sua encruzilhada, “isso fez toda a diferença”.

Isso me fez perceber que eu não sou um homem educado.

Eu estudei em boas escolas quando criança e quando adolescente, e cresci em um ambiente familiar saudável sob pais cuidadosos, onde a essência do caráter foi ensinada — mesmo que tacitamente. Eu fui para a faculdade e depois para a pós-graduação, acumulando alguns títulos de mestre. Eu me aprofundei suficientemente em uma profissão científica, a ponto de apresentar trabalhos acadêmicos, gerenciar equipes de cientistas e até mesmo para ser tecnicamente responsável por enormes projetos multimilionários.

No entanto, não aprendi muito de valor.

Nós acumulamos enormes quantidades de conhecimento intelectual ao longo de nossas vidas à medida que nos tornamos “especialistas” para agradar a sociedade, mas perdemos a perspectiva do que realmente importa. Melhoramos nossas “virtudes de currículo” exteriores sem preocupação suficiente com nossas verdadeiras virtudes interiores. Vivemos nossas vidas quase como zumbis, seres moto-contínuos que não têm tempo para pensar aonde estão indo ou a força para mudar o curso de suas vidas. Então, caminhamos pelo caminho de todo mundo e nos julgamos pelas lentes de outras pessoas. Eventualmente, nos tornamos menos do que uma vez aspiramos. Cada dia a mais em que vivemos torna mais fácil aceitar nosso destino. Cada dólar adicionado à nossa conta bancária e cada promoção no trabalho nos garantem que estamos no caminho certo — mesmo que seja um caminho frágil em direção à mediocridade interior.

A fragilidade está na suposição inerente de que temos controle sobre nossas vidas. Se trabalharmos diligentemente, alcançaremos. Se alcançarmos, estaremos seguros. Se nos tornarmos seguros, seremos felizes. Mas no meio desse plano bem pensado, um simples evento aleatório causa destruição em nossas vidas. E estamos despreparados para receber o golpe. Estamos despreparados porque, como a sociedade em que vivemos, nos falta um caráter forte. A educação de que falo é uma educação de caráter. Para os sortudos como eu, essa educação começou no núcleo de nossas famílias, mas também acabou lá. Em algum lugar ao longo da turbulência de nossa existência diária nos esquecemos de promover nosso caráter e, como qualquer outro músculo de nosso corpo, ele se atrofiou. Eu quero retomar essa educação — eu preciso, porque eu conheço a destruição.

(Continua…)

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