A Estória da Civilização: Elementos Políticos – Origens do Governo e do Estado

Sociedades são governadas por dois poderes: a palavra quando em paz, a espada quando em crise; a força só é usada quando o adestramento falha.
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 22.
(Estudante acena com bandeira na Praça Tiananmen, em Pequim, China, 1989. Tal “violento” protesto gerou represália do governo de Deng Xiaoping: estima-se que mais de 10,000 pessoas tenham sido mortas.)

SUMÁRIO: O homem só se associa a outros por interesse próprio; foi a guerra que estimulou um nível de organização suficiente para a centralização do poder em um governo. O estado é resultado da conquista pela força, da substituição dos laços de parentesco pela dominação, mas só se mantém pelo adestramento do homem, que se permite adestrar — pela família, igreja e escola — para satisfazer seus interesses.


O homem não é um animal político porque quer. Ele se associa a outros porque o isolamento o coloca em perigo, e porque há muitas coisas que podem ser feitas melhor em conjunto do que sozinho. Em privado, ele é um “anarquista não-filosófico”, e considera que as leis são supérfluas no seu caso.

Nas sociedades mais simples raramente há qualquer governo. Os caçadores primitivos costumavam aceitar regulação somente quando eles se juntavam ao bando e se preparavam para ação; mas associação e cooperação não ascendiam a nenhuma ordem política permanente.

A forma mais antiga de organização social contínua era o clã, somente mais tarde apareceu a tribo. Democracia aparecia no seu melhor em diversos grupos primitivos onde tal governo consistia meramente na chefia das cabeças das famílias do clã, e nenhuma autoridade arbitrária era permitida. Quando o governo finalmente se desenvolveu, ele veio dos cargos de guerreiro, pai e padre. É a guerra que faz o chefe, o rei e o estado, da mesma maneira que são esses que fazem a guerra.

Em geral, a guerra foi o instrumento favorito de seleção natural entre as nações e grupos primitivos. As consequências foram infinitas. Ela atuou como um eliminador cruel de povos fracos, e aumento o nível da raça em coragem, violência, crueldade, inteligência e habilidade. Ela estimulou invenção, criou armas que se tornaram ferramentas úteis, e artes da guerra que se tornaram artes da paz. Acima de tudo, a guerra dissolveu o comunismo e o anarquismo primitivos, introduziu organização e disciplina, e levou ao escravizamento de prisioneiros, a subordinação de classes, e o crescimento do governo. “Propriedade foi a mãe, guerra o pai, do estado.”

“O estado começa com a conquista de uma raça por outra.” — Lester Ward

“Violência é o agente que criou o estado.” — Ratzenhofer

“O estado é o resultado da conquista.” — Gumplowicz

“O estado é o produto da força, e existe pela força.” — Sumner

A subjugação violenta é normalmente de um grupo agrário e sedentário por uma tribo de caçadores e pastores. O estado é um desenvolvimento tardio, porque ele pressupõe uma mudança no próprio princípio de organização social — de parentesco para dominação. Na conquista permanente, o princípio de dominação tende a ficar escondido e quase inconsciente — o tempo santifica tudo. “Mesmo o mais absoluto roubo, nas mãos dos netos do ladrão, torna-se uma propriedade sagrada e inviolável.” Todo estado começa compulsório, mas os hábitos da obediência levam ao contentamento da consciência, e em breve todo cidadão se entusiasma com a bandeira.

O estado, mesmo precário como foi em sua origem, supriu essa necessidade; ele se tornou não só uma força organizada, mas um instrumento para ajustar os interesses dos milhares de grupos conflitantes que constituem a sociedade complexa. O estado pode ser definido como “paz interna em troca de guerra externa”. O homem decidiu que era melhor pagar impostos do que lutar entre si. “Melhor pagar a um magnífico ladrão apenas do que subornar todos os outros.”

O estado que tentasse se basear apenas no uso da força cairia cedo, porque apesar do homem ser naturalmente crédulo, ele também é naturalmente obstinado, e poder, como impostos, tem mais sucesso quando é invisível e indireto. Assim, o estado, para se manter, usou e forjou vários instrumentos de adestramento — a família, a igreja, a escola — para formar na alma do cidadão o hábito de lealdade e orgulho patriótico. Isso preparou a mente do público para “aquela dócil coerência que é indispensável na guerra”.


  1. Por que o homem se associa a outros?
  2. Quais as consequências da guerra para o homem primitivo?
  3. Quais as duas maiores causas do estado?
  4. Porque o homem aceita o estado?
  5. De que maneira (além do uso da força) o estado consegue se manter?

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