O.P.A.R – Capítulo 4: Objetividade

“O Sr. Chamberlain lidou com a demanda de Hitler como um fato isolado a ser tratado por uma resposta isolada; para fazer isso, ele teve que dispensar uma imensa quantidade de conhecimento. […] O primeiro ministro queria ‘paz a qualquer preço’. O preço incluiu evadir-se da filosofia política, história, psicologia, ética e muito mais. O resultado foi guerra.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 124-125.
(O primeiro-ministro Neville Chamberlain retorna à Grã-Bretanha depois de assinar o Acordo de Munique, efetivamente entregando a Tchecoslováquia a Hitler. Qualquer novo conhecimento, proposta ou ideia deve sempre ser integrado ao seu contexto completo, que é, em última análise, a soma de todo o conhecimento disponível. Essa abrangente integração, longe de ser fácil, exige muito esforço, mas é possível graças à filosofia. O preço de não dar atenção a isso pode ser guerra. “Combate como filosofia de vida – Filosofia como única alternativa ao combate.”)

Segundo Leonard Peikoff, objetividade significa aceitar que “pensar, para ser válido, deve aderir à realidade”. Conceitos não pertencem apenas à consciência ou apenas à existência. Eles são o produto de um tipo específico de relação entre as duas, guiados por um método humano: a lógica.

Por um lado, há uma contribuição exclusivamente humana para o nível conceitual de consciência; a formação e uso dos conceitos é precisamente o domínio que não é automático ou infalível, mas volitivo. O homem deve lutar para relacionar, conectar, processar uma gama cada vez maior de dados. O resultado é uma perspectiva humana sobre as coisas, não uma revelação de um tipo especial de entidade ou um atributo intrínseco ao mundo à parte do homem.

Por outro lado, a consciência é a faculdade de compreender o que existe. Há, portanto, uma base metafísica para os conceitos, algo semelhante na realidade de suas unidades: suas características, que diferem apenas em relação às suas medidas. Este é um fato sobre os concretos, não sobre os processos internos de uma consciência. Um conceito, portanto, não é uma criação subjetiva e arbitrária do homem — é objetivo.

Precisamente porque nossa faculdade conceitual não é nem automática nem automaticamente correta (como nossa faculdade perceptiva) é que precisamos de um método que nos permita encontrar a verdade. A lógica é o método da razão. Ayn Rand a define como a “arte da identificação não contraditória”. Em essência, a lógica é o método de observar os fatos (as premissas), consultar o princípio da não contradição, e então chegar à conclusão que esta lei estabelece.

Mas a lógica não pode funcionar com conceitos isolados, não se seu objetivo é apreender a realidade de maneira não contraditória. O motivo disso é que todo conhecimento é contextual e hierárquico. “O conhecimento humano em todos os níveis é relacional”.

Conceitos só podem ser formados em um contexto ao se relacionarem concretos a um campo de entes contrastantes que formam um conjunto de relacionamentos. O homem deve aderir voluntariamente a todo o contexto de seu conhecimento, sempre trabalhando para integrar qualquer nova ideia a ele. “O contexto nunca deve ser descartado.” Caso contrário, ele arrisca basear seu processo de pensamento em meras abstrações flutuantes, conceitos completamente separados da realidade.

O fato de o conhecimento ser hierárquico significa que os conceitos diferem em sua distância do nível perceptual. Um conceito de primeiro nível é formado diretamente a partir de dados perceptivos, sem a necessidade de conceitualização prévia. Conceitos de nível superior, em contraste, pressupõem conceitos anteriores. Isso significa que qualquer conceito, independentemente de quão alto esteja na hierarquia, deve, em última análise, estar ligado à realidade, ao auto-evidente, aos dados do sentido. Estes, portanto, são o padrão da objetividade, ao qual todos os outros materiais cognitivos devem ser conectados.

O processo de fazer isso — de viajar de volta através da estrutura hierárquica do conceito e encontrar suas raízes conceituais – é chamado de redução. Deixar de fazer isso é incorrer no que Ayn Rand chama de falácia do “conceito roubado”: usar um conceito de nível mais alto enquanto nega ou ignora suas raízes hierárquicas. Ou, pior que isso, pode-se estar usando um conceito inválido, que simplesmente não pode ser reduzido ao nível perceptual (como fantasmas, diabo ou deus).

Assim como qualquer conceito, as proposições também devem ser trazidas de volta, passo a passo, ao nível perceptual. A prova de um argumento, portanto, é o processo de estabelecer uma conclusão identificando a hierarquia apropriada das premissas. Se você não pode provar algo, ou se esse algo implica uma contradição, você deve prestar atenção ao aviso de Ayn Rand:

“Cheque suas premissas.”

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