Truby e a Premissa das Premissas

A premissa de muitas vidas expressa visualmente.

John Truby, em sua excelente obra “A Anatomia da Estória”, nos ensina que toda estória tem uma premissa: a estória em si expressa em uma única frase. A premissa dele é que uma premissa fraca implica uma estória fraca.

Toda premisa tem três elementos:

  1. Algum evento que inicia a ação;
  2. Algum sentido do personagem principal;
  3. Algum sentido do resultado da história.

“O filho mais novo de uma família da máfia se vinga dos homens que atiraram em seu pai e se torna o novo padrinho.”

Adivinha o filme?

A premissa deve ser “high-concept”, o que significa que pode eventualmente ser reduzida a uma descrição cativante de uma linha. Ela também funciona como sua inspiração, algo para se ter sempre em mente ao escrever. Mas também é sua prisão, a única decisão que você não poderá mudar depois de começar a escrever, a única decisão na qual todas as outras serão baseadas. Esse é outro bom exemplo de quando nos restringirmos nos libera. Você toma uma decisão, persevera, e realiza algo.

Truby diz que a maioria dos escritores falha na premissa, porque eles não a desenvolvem adequadamente. Você deve permanecer no “estágio da premissa” por semanas, desenvolvendo cuidadosamente sua ideia até conseguir enxergar o quadro geral e confiar que tem potencial. Mas como você faz isso?

Uma história que muda a vida: Se você escreve algo que é realmente importante para você, tem uma grande chance de ser importante para muitas pessoas na platéia. E quando você termina de escrever, mesmo que seja uma porcaria para todo mundo, você de fato mudou sua vida. Não vejo outro propósito em escrever.

Possibilidades: Seja humilde depois de chegar à sua querida premissa, e primeiro explore-a o máximo que puder. Primeiro, veja o que é prometido pela ideia em si e, em seguida, faça várias perguntas do tipo “e se” para ver aonde elas levam. Você nunca sabe quando idéias aparentemente estúpidas podem levar a inovações criativas.

Desafios e problemas da estória: Há sempre dificuldades particulares profundamente enraizadas em qualquer estória. Enfrente-as primeiro e você poderá encontrar sua verdadeira estória.

Princípio de design: Eu acho este conceito bastante difícil de discernir daquele de uma premissa. É a premissa apresentada de uma forma mais abstrata, é “o processo mais profundo acontecendo na estória, contada de uma forma original”. Mas mesmo depois de ler seus muitos exemplos, ainda acho ambíguo. Infelizmente, isso é o quão não literário eu sou.

Melhor personagem: Sempre conte uma estória sobre seu melhor personagem. Nenhuma surpresa aqui.

Conflito central: É uma frase que responde à pergunta “Quem luta contra quem?”

Ação básica: O herói deve realizar uma ação muito importante em torno da qual todas as outras são unificadas.

Mudança de caráter: Aqui Truby usa uma fórmula, e meu eu matemático gosta: W * A = C. Um personagem com fraquezas psicológicas e / ou morais (W) se esforça para realizar sua ação básica (A) e termina como uma pessoa mudada (C).

Escolha moral: O tema de uma estória é a visão moral do autor sobre como o mundo deveria ser, seu “argumento moral”. E o passo mais importante no argumento é a escolha moral final que o herói deve fazer. Suas opções devem ser as mais iguais possíveis, de modo a tornar a decisão difícil e imprevisível.

Apelo ao público: Essa estória é única o suficiente para interessar muitas pessoas além de você?

E tudo isso por causa de uma única frase…

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