A Antítese do Combate: Ombros de Gigantes

Ombros de gigantes.
(por Maria Lindsey)

Quem quer que reconheça a República de Platão na série de postagens “A Antítese do Combate”, mesmo que seja apenas um pequeno vislumbre dela, com incomparavelmente menos qualidade filosófica e literária, não está na frente de uma mera coincidência. Sempre admirei a construção a partir do zero do estado de Platão, no Livro II da República, e acho que isso me veio à mente quando percebi quão inferiores às crianças são os adultos, e decidi me livrar deles (nós) no “meu estado”.

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A Antítese do Combate: “É Meu”

“É meu”.
(por elijah)

As “crianças” do outro lado do vale teriam ficado muito surpresas, mas acolhedoras. Décadas teriam se passado sem ninguém para se observar, conversar ou brincar. Elas ficariam felizes em dar chocolate às crianças da pradaria e deixá-las brincar com seus brinquedos. Elas também teriam ouvido falar sobre os diferentes tipos de brinquedos que as crianças de baixo teriam, e ficariam mais do que felizes em provar a carne que elas teriam trazido. O vale onde viviam era muito estreito para permitir a criação de gado e tudo o que tinham eram cabras e galinhas. Só então eles perceberiam como estavam fartos de carne de cabra. Eles se proporiam a fornecer mais chocolate se os garotos da pradaria lhes trouxessem mais carne, e um acordo seria feito alegremente. Mas algo estranho aconteceria quando as crianças da pradaria pedissem por brinquedos em troca de ainda mais carne. As crianças da montanha não iriam aceitar trocar seus brinquedos.

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A Antítese do Combate: Chamado da Montanha

O chamado das Montanhas.
(“Crianças da base das montanhas”, por Doug Zwick / CC BY-NC 2.0)

Deixe-me agora aprofundar minhas suposições fantásticas e estabelecer que essas crianças nunca envelheceriam. Bem, elas acabariam alcançando sessenta, setenta ou até noventa anos de idade e depois morreriam como nós, mas seus corpos permaneceriam os mesmos por toda a vida. Isso significa que mulheres nunca existiriam, apenas garotinhas que não provocariam nem sentiriam nenhum apelo sexual. Meninos e meninas sempre cuidariam de suas tarefas e brincariam com seus brinquedos. Isso não quer dizer que eles não se tornariam maduros — sim, eles amadureceriam. Mas o prazer deles nunca deixaria aquele ludismo inocente da infância para a luxúria superficial de uma caçada alcoólica pelos prazeres da carne. Seus vícios seriam outros.

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A Antítese do Combate

Crianças.
(por skeeze / CC0 1.0)

Imagine um cenário fantástico semelhante ao mostrado no filme “Filhos da Esperança“: os efeitos devastadores do nosso desleixo para com o mundo acabaram fazendo com que as mulheres não fossem mais capazes de engravidar; a raça humana está em contagem regressiva para a extinção. No meu cenário, o problema é ainda pior — todos, menos as crianças, morrem de repente.

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Caminhos Divinos

Santo Agostinho”, por Peter Paul Rubens (1577-1640).

Agostinho de Hipona (354 – 430), o Santo Agostinho, era originário da província romana do norte da África chamada Numídia, hoje parte da Argélia. Cerca de quarenta anos antes de seu nascimento, em 313, Constantino legalizava o cristianismo; cerca de quarenta anos depois de sua morte, em 476, o Império Romano Ocidental chegava ao fim.

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O Combatente – #1

Quando o alarme dispara às duas da manhã, ele tem certeza de que ainda está sonhando. Ele apenas fechou os olhos, então não pode ser hora de acordar. Mas é. O problema é que depois de vinte horas trabalhando duro para proteger as famílias dos outros, tentando ganhar no setor privado o dinheiro que a polícia é que deveria fornecer, essas três horas de sono parecem passar como um relance, um breve interlúdio de vida tão profundo quanto a própria morte.

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Lembrar De Tudo

Lembrar de tudo.
(“Giordano Bruno”, um dos pais da Arte da Memória, por Matteo Mignani / CC BY 2.0)

Uma vez eu brinquei com a ideia de que eu não apenas leria os Grandes Livros do Mundo Ocidental, mas memorizaria tudo. Claro, eu estava me entregando a sonhos impossíveis, mas isso me levou a um universo inteiro de pensamento (literalmente) que eu nunca sonhara existir: a Arte da Memória.

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A Estória da Civilização: Elementos Políticos – Lei

Quando a essa base natural de costumes uma sanção sobrenatural é adicionada pela religião, e os ditames dos ancestrais também são os desejos dos deuses, então os costumes se tornam mais fortes que a lei, e subtraem substancialmente da liberdade primitiva.
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 26.
(“A Execução de uma Judia Marroquina”, pintura de Alfred Dehodencq, 1860. Sol Hachuel, de 17 anos, foi decapitada pela falsa acusação de apostasia, ou seja, a renúncia de sua religião anterior. Treze países, ainda hoje, aplicam a pena de morte para tal “crime”. Sim, estamos em 2019.)

SUMÁRIO: No início, as leis eram os costumes, e o homem não possuía direitos individuais, mas com a propriedade, o casamento e o governo, as leis evoluíram, e o indivíduo surgiu.

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História da Filosofia – Aula 7: O Ceticismo dos Sofistas

“Górgias, que foi o exemplo perfeito de um cético do século XX transplantado para a Grécia antiga […] manteve três proposições básicas: um, nada existe; dois, se alguma coisa existisse, você não poderia saber; três, se você pudesse saber, você não poderia se comunicar. Agora, isso é o que se chama de ceticismo.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 7.
(Eu não gosto de arte moderna. Mas se procurarmos bem, talvez tenha algo para se aprender com ela. A escultura de aço “Protágoras”, de Charles Ginnever, bem poderia ser considerada a concretização de uma ideia filosófica. A escultura muda de forma à medida que os espectadores se movem em torno dela, o jogo de luz e sombra em suas formas triangulares dando vida à estrutura massiva. “Os sentidos enganam”, eu diria que é a mensagem. Mas, agora, tente imaginar alguém saltando dessa ideia malformada (porque não são os sentidos que estão errados, mas os conceitos que geramos a partir deles) para a conclusão de que nada existe. Talvez alguns dos juízes federais que trabalham no Edifício Burger, em St. Paul, Minnesota, onde “Protágoras” está instalada, gostariam que ela desaparecesse. Mas afirmar que ela nunca existiu seria um pouco forçado. No entanto, é exatamente isso que sofistas como Protágoras e Górgias faziam.)

Os sofistas foram tachados ao longo da história como professores gananciosos e imorais, mas isso é polêmica para um curso de história, ou um sobre Platão e sua obsessão por eles. Leonard Peikoff se concentra, em vez disso, nas ideias que eles apresentam — mesmo que sua ideia principal seja a negação de todas as ideias.

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O.P.A.R. – Comentário: A Postura de Voltaire

“O agnóstico trata alegações arbitrárias como assuntos propriamente abertos à consideração, discussão, avaliação. Ele permite que seja “possível” que essas afirmações sejam “verdadeiras”, aplicando, assim, descrições cognitivas a um palavreado que está em guerra com a cognição. Ele exige provas de um negativo: cabe a você, declara ele, mostrar que não há demônios, ou que sua vida sexual não é resultado de sua encarnação anterior como um faraó do antigo Egito.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 170.
(Pode haver alienígenas no lado escuro da lua. Quem sabe? Alegações desprovidas de qualquer evidência devem ser desconsideradas. Não importa o que você sente sobre isso. Tome sua posição com base em sua avaliação da realidade e diga o que você sabe. Você sabe que não há civilização alienígena no lado escuro da lua, não sabe? Ou você vai me dizer que é agnóstico em relação a isso também?)

“Yo no creo en brujas, pero que las hai, las hai”. Isso resume o credo do agnóstico. Isso não é atitude alguma. Isso é ficar em cima do muro. É renunciar à responsabilidade de julgar, de escolher seu caminho, de construir e depois postar-se atrás de suas próprias convicções. Em uma palavra, é evasão. Eu costumava dizer que era agnóstico. Não. Posicione-se. Tenha a coragem de dizer. Seja ousado por uma vez. Eu não sou mais agnóstico. Eu sou ateu.

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