A Estória da Civilização: Elementos Econômicos – Organização Econômica

Foi uma grande evolução moral quando o homem parou de matar ou comer seu próximo e passou apenas a escravizá-lo…
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 20.
(Um escravo de Louisiana ou Mississipi, 1863: apesar da escravidão no Brasil “ter acabado” ainda mais tarde que nos EUA, não encontro fotos de domínio público. Por que será?)

SUMÁRIO: A agricultura levou à propriedade, à desigualdade, à escravidão, à indústria, à luta de classes, ao Estado; ou seja, à “civilização”.


O comércio foi o grande perturbador do mundo primitivo, porque antes do dinheiro e lucro que ele trouxe, não havia propriedade e, portanto, pouco governo. Em quase todo lugar, a terra era da comunidade, assim como a comida.

Por que esse comunismo primitivo acabou quando o homem se civilizou?

Talvez por ter se provado não-biológico, um obstáculo na luta pela sobrevivência; talvez por dar pouco estímulo à inventividade, indústria e economia; talvez por falhar em recompensar o mais hábil e punir o menos hábil, gerando um nivelamento de capacidade hostil ao crescimento e ao sucesso competitivo em relação a outros grupos.

O comunismo trouxe uma certa segurança aos pobres, mas ele não os tirou da pobreza. O individualismo trouxe riqueza, mas com ela veio insegurança e escravidão; ele estimulou os poderes latentes de homens superiores, mas também intensificou a competição pela vida, e gerou o desprezo à pobreza que antes, quando era comum a todos, não incomodava ninguém.

O comunismo floresce melhor em tempos de dificuldades e escassez, quando o perigo comum da fome funde o indivíduo ao grupo. Quando os tempos de abundância chegam, e o perigo abaixa, a coesão social diminui e o individualismo cresce — “O comunismo acaba onde o luxo começa”.

O crescimento de qualquer civilização multiplica desigualdades, pois as diferenças naturais do homem combinam-se com diferentes oportunidades para produzir diferenças artificiais de riqueza e poder; e onde não há leis ou déspotas para suprimirem essas desigualdades artificiais, elas eventualmente alcançam um ponto de ruptura onde o pobre não tem nada a perder pela violência. O caos da revolução então nivela mais uma vez o homem em uma comunidade de destituição, a cujo retorno o homem dá boas-vindas por idealizar tal condição, lembrando-se da igualdade e esquecendo-se da pobreza. Nesse aspecto, toda a história econômica é um vai-e-vem de concentração natural de riqueza e de explosão natural de revolução.

A desigualdade entre os homens e a necessidade de mão-de-obra para a agricultura causou o emprego dos socialmente mais fracos pelos socialmente mais fortes. Matança e canibalismo diminuíram; escravidão aumentou estimulada pela guerra, e escravidão estimulou a guerra.

Provavelmente, foi ao longo de séculos de escravidão que adquirimos nossos hábitos da labuta. Ninguém faria nenhum trabalho difícil ou persistente se pudesse evitar sem nenhuma punição física, econômica ou social. A escravidão tornou-se parte da disciplina pela qual o homem foi preparado para a indústria. Indiretamente, ela fomentou a civilização, na medida em que aumentou a riqueza e o ócio para uma minoria. Eventualmente, tornou-se algo aceito como que de praxe; Aristóteles argumentou a favor da escravidão como natural e inevitável, e até São Paulo deu sua benção a essa instituição que deve ter lhe parecido, naquela época, um desígnio divino.

Gradualmente, a relativa igualdade da sociedade natural foi substituída pela desigualdade e divisões de classes; a luta entre classes tornou-se uma corrente vermelha passando através da história; e o Estado surgiu como um instrumento indispensável para a regulação das classes, proteção da propriedade, guerra e organização da paz.


  1. Quais as possíveis razões para o fim do comunismo primitivo?
  2. Por que o crescimento de uma civilização multiplica as desigualdades?
  3. Qual a relação entre comunismo, desigualdade e revolução?
  4. Por que a agricultura leva à propriedade e à escravidão?
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