O.P.A.R. – Comentário: Evasão Epistemológica

“O indolente não integra seu conteúdo mental; o evasor os desintegra, lutando para desconectar um dado item de tudo o que lhe daria clareza ou significado em sua própria mente. No primeiro caso, o indivíduo está imerso na névoa por padrão; ele escolhe não elevar seu nível de consciência. No outro caso, ele gasta energia para criar uma névoa; ele abaixa seu nível de consciência.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 61.
(“O Aviso da Névoa”, de Winslow Homer, 1885, mostra um pescador avistando sua embarcação-mãe no horizonte, à frente de ameaçadoras nuvens que se aproximam. Assim como ele, precisamos trabalhar duro para alcançar a segurança; basta não fazermos nada para sermos engolidos pela névoa da evasão.)

A distinta capacidade do homem é a sua faculdade conceitual, o fato de que ele pode focar sua atenção, integrar, pensar. Mas tudo isso depende de sua vontade. Ele pode, ao invés disso, deixar-se “sair de foco, relaxar sua concentração, abandonar seu propósito e cair em um estado de névoa e deriva”. Isso é evasão e, até onde eu sei, todo mundo faz isso – rotineiramente – com menor ou maior frequência. Eu me encaixo no segundo grupo.

Eu chamo de “evasão epistemológica”. Enquanto a versão metafísica tenta, de uma forma ou de outra, reescrever a realidade, a epistemológica tenta ignorá-la. Na primeira, você delega suas decisões a outra consciência que lhe forneça uma realidade melhor; na segunda, você não tem tanta sorte, então simplesmente escolhe não olhar. É como aquela criança que, temendo o monstro no armário, simplesmente fecha os olhos – ela sabe que isso não vai livrá-la do monstro, mas se ao menos não o vir será mais fácil. Nossos erros começam cedo em nossas vidas.

Nas próprias palavras de Ayn Rand, a evasão é:

“o ato de apagar, a suspensão intencional da sua consciência, a recusa de pensar – não cegueira, mas a recusa de enxergar; não ignorância, mas a recusa em saber. É o ato de desfocar sua mente e induzir uma névoa interna para escapar da responsabilidade do julgamento – na premissa não declarada de que uma coisa não existirá se você se recusar a identificá-la, que ‘A’ não será ‘A’ enquanto você não pronunciar o veredito que ‘Sim, é.’”

Infelizmente, tudo no final se resume ao terrível hábito da busca pelo prazer e fuga da dor. Nossa mente evoluiu mais rápido que os mecanismos que a natureza encontrou para nos adestrar. Nós ainda não aceitamos que é pelo raciocínio que sobrevivemos, que é através da integração conceitual das percepções que nos chegam que temos alguma chance de compreender o mundo e, talvez, encontrar aquela elusiva felicidade. Em vez disso, continuamos brincando com fogo para ver se ele queima. Continuamos escravos de todo prazer efêmero, mesmo sabendo que o preço a pagar é nosso bem-estar a longo prazo. Nós fugimos da realidade através da preguiça mental, evitando o esforço de pensar com toda a nossa capacidade, fugindo da dor de enfrentar nossas responsabilidades. Mas no fundo estamos apenas sucumbindo a cada amargo prazer momentâneo – sim, amargo, porque até o mais doce dos doces adquire gosto ruim quando temperado por covardia e fraqueza.

Clausewitz falou da “névoa da guerra”, a incerteza na percepção situacional experimentada em eventos de combate. Eu sei do que ele estava falando. Eu estive lá inúmeras vezes. Agora, imagine que você está na pior situação de combate de todas e que você pode escolher entre manter foco e consciência plenos, ou erigir uma névoa para confundir suas percepções e entorpecer sua mente.

Bem, meu amigo, você está no mais difícil combate de todos — a vida — e você provavelmente pode ver a “névoa da evasão” à espreita no horizonte do campo de batalha.

O que você escolhe?

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