O.P.A.R – Capítulo 2: Preliminares para o Conhecimento

“Nenhum tipo de percepção sensorial pode registrar tudo. ‘A é A’ — e qualquer aparato perceptivo é limitado. Em virtude dela ser capaz de distinguir diretamente um aspecto da realidade, uma consciência pode não discriminar algum outro aspecto que requereria um tipo diferente de órgão dos sentidos. Quaisquer fatos que os sentidos registrem, no entanto, são fatos. E são esses fatos que eventualmente levam a mente ao resto do conhecimento.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 43-44.
(Um lápis ou um graveto parece torto na água. Os antigos assumiram, portanto, que os sentidos são inválidos. O problema é quando os modernos continuam repetindo a mesma coisa.)

Epistemologia é a ciência que diz como uma consciência conceitual falível apreende uma realidade independente. Isso implica um processo volitivo operando com dados válidos. Portanto, o Objetivismo deve primeiro estabelecer dois fatos: que os sentidos são válidos, e que o homem é livre para pensar ou não.

A validade dos sentidos é um axioma. Portanto, assim como a própria consciência, é um fato fora do alcance da prova – é auto-evidente. A falácia persistente na história de que os sentidos são inválidos porque um graveto parece dobrado na água ou porque sonhamos e alucinamos é apenas isso: uma falácia. Dentro do alcance de sua capacidade, os sentidos nos dão evidências do contexto completo da realidade – incluindo o fato de que a luz refrata através da água e faz com que o graveto pareça dobrado. E um sonho é simplesmente uma mente contemplando seu próprio conteúdo, e não a realidade externa, um fenômeno tornado possível somente após a mente adquirir certa quantidade de percepções. Sonhos não só não são percepções sensoriais, como são testemunhos de que sabemos o que é válido e o que não é.

Nossos sentidos nos dizem apenas que algo é, mas o que é deve ser aprendido por nossa mente. A conceitualização, portanto, envolve uma interpretação que pode não corresponder à realidade. Podemos, por exemplo, pensar em coisas irreais, ou errar. Mas nossos sentidos resumem automaticamente tudo o que é real.

Outra falácia que permeia a filosofia é a dicotomia entre qualidades primárias e secundárias. A primeira estaria “no objeto”, como o formato; a segunda, “na mente”, como a cor. Mas, de acordo com o Objetivismo, as qualidades não estão em lugar algum: elas são o produto de uma interação entre objetos e mente. O homem percebe a realidade diretamente por meio de seus efeitos em seus órgãos dos sentidos. O fato de as ditas “qualidades secundárias” poderem variar de pessoa para pessoa apenas atesta o fato de que tanto seus órgãos dos sentidos quanto suas consciências possuem identidade, assim como qualquer outro ente. Tanto os sentidos quanto a consciência são válidos pelo mesmo motivo que “A é A” – eles apenas não são oniscientes.

Mas no nível conceitual, a consciência do homem não é automática como no nível perceptual; é um processo ativo e, como tal, exige volição. A liberdade de escolha básica do homem é colocar sua faculdade conceitual em movimento ou não, focalizar ou não – pensar ou não. Pensamentos e ações em um nível mais alto de consciência volitiva são então “causados ​​pela escolha”, eles não são necessários como o determinismo prega. “O homem escolhe as causas que moldam suas ações.” O livre arbítrio do homem, assim como a validade dos sentidos, não pode ser provado. O conceito de volição é em si uma das raízes do conceito de prova. Pedir a prova do livre arbítrio é pressupor a sua realidade.

Então, o homem é livre para formar conceitos a partir de dados sensoriais válidos. Mas como ele faz isso? Aprenderemos a resposta no próximo capítulo.

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