Uma Breve História da História

Usando uma metáfora ridiculamente simplificada: É como se ambos os escritores estivessem pintando um retrato de uma mulher sentada em uma mesa. Mas enquanto o novelista está pintando de imaginação, e pode dar à mulher quaisquer propriedades, ou raça, ou idade, ou vestido, o historiador está olhando uma mulher jovem e branca de verdade, sentada em uma mesa na calçada ao largo de uma lanchonete em St. Louis…
Susan Wise Bauer, “The Well-Educated Mind”, página 164.
(Auto-Retrato de Aert de Gelder pintando uma mulher velha e feia, 1685. Assim como esse pintor, um historiador não poderia tornar a mulher jovem e bonita.)

SUMÁRIO: O que se segue é um sumário do Capítulo 7 de “The Well-Educated Mind“, por Susan Wise Bauer, entitulado “The Story of the Past: The Tales of Historians (and Politicians)”. Todo o conteúdo (com exceção do meu comentário final) é dela. O leitor interessado faz bem em comprar o seu livro para um tratamento completo sobre a educação liberal que todos deveríamos ter.

 

A história surgiu com os antigos gregos Heródoto, Tucídides, e Xenofonte, mas era quase uma coleção de estórias desconexas e focadas em grandes indivíduos. História não era uma caminhada com fim ou tinha qualquer plano subjacente. O universo era eterno, afinal

Isso mudou com o advento do Cristianismo durante a Idade Média, começando pela “Cidade de Deus”, de Agostinho. História tornava-se uma estória linear sequencial, dotada de começo e fim baseados em um plano divino.

Com o Renascimento, e suas inúmeras dúvidas sobre Deus e novos avanços tecnológicos, a explicação para a vida e o mundo migrou para o homem e a razão, ao invés de Deus e a fé. A noção cristã de linha-do-tempo foi mantida, mas apenas o homem saberia agora para onde a história iria.

Quando Newton explicou matematicamente o universo e Locke propôs que o homem vinha ao mundo com nada além da razão, os historiadores do Iluminismo começaram a ver a história como fenômenos físicos que deveriam ser explicados.

O Iluminismo deu, então, origem a duas famílias de historiadores: uma que venerava seu progenitor, outra que o odiava.

A primeira, o Positivismo (termo cunhado pelo sociólogo Auguste Comte), passou a enxergar história como ciência, e as forças da Natureza — e não os indivíduos — como seus motores.

Mas, se a ciência progredia a um passo acelerado, a sociedade também deveria continuar avançando. Se historiadores agora eram cientistas, eles descobririam leis históricas e usariam-nas para melhorar nossa vida. Ao menos, assim pregava o Progressismo. Karl Marx foi talvez seu mais famoso evangelista, pegando emprestado diversas ideias do filósofo místico Hegel.

A importância que os oprimidos ganharam com Marx levou ao foco histórico no estudo de todas as minorias, e à crença de que a verdade só seria alcançada dentro de cada sub-cultura — generalizações não seriam mais possíveis. Esse movimento expandiu-se para além do âmbito da historiografia e passou a se chamar Multiculturalismo.

O outro filho do Iluminismo — agora, o ingrato — foi o Romantismo: a crença otimista de que o homem é destinado a grandes coisas, irrestrito à fria racionalidade, mas movido por sua individualidade, intuição e imaginação. Rousseau foi o romântico quintessencial, mas Hegel, Herder, e até Kant foram clamados pelo Romantismo. Infelizmente, tal credo levou ao nacionalismo, em especial, ao nacionalismo alemão — e “o resto é história”.

Após “verdade científica” e nacionalismo romântico se materializarem em milhões de mortes, o Relativismo trouxe profunda descrença em qualquer tipo de verdade. História passou a ser “uma” história baseada nas visões de grupos particulares ou, principalmente, de indivíduos.

Uma sequência natural do Relativismo foi o Ceticismo: a recusa total em se aceitar que a razão pudesse alcançar qualquer verdade. História não podia mais ser explicada; seria apenas uma das possíveis versões do passado.

Por fim, chegou-se ao Pós-Modernismo e sua abordagem histórica excessivamente cautelosa, com medo de responder (ou até levantar) grandes questões.

Mas eu fico pensando.

O homem prosperou generalizando princípios pelos quais viver. Se a história não vai ajudá-lo nessa tarefa, por que nos importarmos com ela?

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