O.P.A.R – Capítulo 1: Realidade

O livro não escrito de Ayn Rand.

SUMÁRIO[1]: Essa é uma série de posts que resumem e comentam cada capítulo do livro “Objectivism: The Philosophy of Ayn Rand” (O.P.A.R., para encurtar). Esse livro foi escrito por Leonard Peikoff, herdeiro e principal discípulo de Ayn Rand, e pode ser considerado como o livro que ela teria escrito se não fosse tão apegada à ficção. Como temos “A Revolta de Atlas” e “A Nascente”, nós a perdoamos.

De acordo com Ayn Rand, você “não tem escolha quanto a integrar suas observações, suas experiências, seus conhecimentos em ideias abstratas, ou seja, em princípios”. Sua escolha é se seus princípios são verdadeiros ou falsos, racionais ou irracionais, consistentes ou contraditórios. A única maneira de saber o que eles são é integrá-los: o que os integra é a filosofia. Portanto, o homem precisa de filosofia.

Uma filosofia, no entanto, é um sistema de ideias; então, para que uma ideia filosófica funcione adequadamente como um guia, é preciso conhecer o sistema completo ao qual ela pertence. Para abordar a filosofia sistematicamente, portanto, deve-se começar com seus ramos básicos. Metafísica é o primeiro: o estudo da natureza do universo como um todo.

De acordo com a metafísica objetivista, o primeiro axioma é: “Existência existe”. Primeiro, deve haver algo, e é preciso entender que realmente existe. Isso não especifica, no entanto, que existe um mundo físico. Mas especifica sim um segundo axioma: que você existe possuindo consciência, sendo  consciência a faculdade de perceber o que existe. “Há algo – do qual estou ciente.”

O terceiro axioma é a Lei da Identidade: ser é ser algo, ter natureza, possuir identidade. A existência diferencia uma coisa do nada, da ausência da coisa; identidade diferencia uma coisa da outra.

Um corolário da identidade é a Lei da Causalidade. Baseia-se no fato de que toda a realidade é constituída por entes. Eles formam o conteúdo do mundo que os homens percebem. Não há mais nada para observar. Atributos, ações e relacionamentos não têm primazia metafísica: nenhum tem existência independente; todos representam meramente aspectos de entidades. Tais entidades devem agir de acordo com suas naturezas. Causa e efeito, portanto, é uma lei universal da realidade. “A lei da causalidade é a lei da identidade aplicada à ação.”

O homem é um ente que tem consciência e esta é consciência de um objeto: portanto, a existência vem em primeiro lugar. Isso é conhecido no Objetivismo como a “primazia da existência”, um dos seus princípios fundamentais. As coisas são o que são independentes da consciência. A abordagem oposta é a “primazia da consciência”, a visão de que a função desta não é a percepção, mas a criação daquilo que é. “‘A’ não precisa ser ‘A’ se a consciência não desejar que seja assim.”

Se a existência é independente da consciência, então, o conhecimento da existência só pode ser obtido pela extrospecção. Cada passo e método de cognição deve seguir os fatos — todo fato deve ser estabelecido, direta ou indiretamente, pela observação. Isso é seguir a razão.

Qualquer fato existente além da ação humana é o “metafisicamente dado”. Eles se opõem aos “fatos feitos pelo homem”. Um fato é necessário, isto é, absoluto, se sua inexistência envolver uma contradição. Nada mais é necessário para fundamentar a necessidade. Os fatos dados metafisicamente são a realidade e, como tal, devem ser aceitos sem valoração — são necessários. Fatos feitos pelo homem, por sua vez, devem ser julgados, depois aceitos ou rejeitados e modificados quando necessário.

 


Notas

1. Pequenos sumários indicados pela palavra “SUMÁRIO” em negrito no início de posts não entram na contabilidade das quinhentas palavras, assim como notas de rodapé como essa.

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