A Revolta de Ayn Rand

Como as melhores coisas na vida, eu ouvi falar de Objetivismo por acaso. Eu estava em Seattle, WA, treinando para escalar o Denali, no Alaska. Eu já havia passado duas semanas escalando o Monte Rainier e agora só pensava em tomar cerveja e relaxar. Estava fazendo exatamente isso quando vi uma loja de livros usados em uma galeria e resolvi entrar.

Como a ideia de começar a escrever já formigava na minha mente, acabei comprando esse livro sobre não-ficção, com essa mulher esquisita na capa. O livro era “The Art of Nonfiction”. De pronto, percebi que ele era uma transcrição editada de um curso que ela, Ayn Rand, teria apresentado oralmente, e imediatamente perdi o interesse em lê-lo. Eu gosto de ler o que o autor escreve, não o que editores acham que o autor deveria ter escrito.

Mas o que renovou meu interesse foi o que estava escrito na contra-capa: “…autora de ‘A Revolta de Atlas’, filosoficamente o bestseller mais desafiador de seu tempo.” “Os fundamentos de sua filosofia…” Que mulher era aquela de quem eu nunca havia ouvido falar, mas que não só havia escrito um grande bestseller filosófico, como também havia criado sua própria filosofia?

Eu me interessei na hora.

Saí, então, da livraria e fui para o bar mais próximo. Nada melhor que admirar a paisagem tomando uma cerveja com livros para folhear e pesquisas para fazer online! Eu pedi um pint de Guinness e fucei essa tal Ayn Rand no meu celular.

Fiquei impressionado com o que descobri.

Ela havia vindo da Rússia ainda adolescente, sem falar inglês, fugindo do socialismo para a América. Seu sonho era ser escritora, e ralou muito até virar roteirista em Hollywood. O que ela queria mesmo era escrever romances de ficção, mas não qualquer romance. Ela queria retratar o que julgava ser um mundo perfeito, onde viveria o homem perfeito. Qual filosofia deveria subjazer o primeiro e mover o segundo?

Ela notou que o país que ela passou a amar se formara com as ideias certas, mas estava rapidamente degringolando em uma economia mista onde o Estado tornava-se cada vez mais forte — ela sentia o cheiro do autoritarismo de sua terra natal e aquilo a desesperava. Ela via que as ideias reinantes estavam erradas, mas precisava entender o porquê. Resolveu estudar todos os principais sistemas filosóficos, do passado até a sua época, com o entendimento de que não adiantaria colecionar ideias soltas, já que todo conhecimento é hierárquico e, portanto, integrado.

Ela não encontrou um sistema filosófico sequer com o qual pudesse concordar plenamente. Apenas Aristóteles provia alguma luz, mas ela percebeu que teria que criar sua própria filosofia. Foi o que ela fez e, assim, nasceu o Objetivismo.

Mas não foi só isso o que ela fez.

A Revolta de Atlas” é sua magnum opus. Eu a li e posso atestar: sua filosofia está embutida em cada uma das suas quase 1.200 páginas — em cada palavra, na verdade.

Não há como filosofia ser mais concreto do que isso.

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2 comentários sobre “A Revolta de Ayn Rand

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