A Grande História

Com uma grande história de 13,8 bilhões de anos, como se contentar com “meros” séculos?

Eu esbarrei no conceito de “Grande História” enquanto pensava por onde começar a estudar História (a “pequena” mesmo). Na verdade, eu já havia decidido por começar em 1789, seguindo o exemplo da famosa coleção de Eric Hobsbawm — e eu já havia comprado os quatro volumes. Achei que fazia sentido para alguém como eu que queria entender o presente e não me deleitar infinitamente com as idiossincrasias do passado. Admito que a ideia foi boa… mas impossível de colocar em prática — ao menos, para um megalomaníaco como eu.

O problema é que todo livro de história começa falando sobre o período que ele não vai cobrir, e mesmo poucas páginas introdutórias já são suficientes para colocar o germe da curiosidade na minha cabeça. As revoluções do fim do século XVIII são o ápice do Iluminismo, mas que diabos foi o Iluminismo, exatamente?

Isso me leva primeiro à Voltaire, Rousseau e os philosophe, mas rapidamente me vejo na Idade da Razão estudando Descartes, Locke, Newton e Bacon.

Mas Newton me leva a Galileu, Kepler, Copérnico e aí já estou no século XVI e arrebatado pela Reforma Protestante e inúmeras dúvidas.

Para piorar, já tão próximo do século XV, me deparo com o próprio nascimento da Modernidade, com a queda de Constantinopla, Colombo e Gutenberg. Eu quero parar, mas estudando Constantinopla aprendo que ela era a capital do Império Romano Oriental porque o Ocidental já havia caído há quase exatos mil anos. E eu nem sequer sabia que houvera essa divisão!

E, na minha empolgação, praticamente pulo toda a Idade Média e chego na Clássica, ávido por ver Roma e depois o período Helenístico, que, aprendo, foi causado por Alexandre, o Grande, e não tem nada a ver com Helena de Tróia, como havia sempre (idiotamente) pensado.

Finalmente, chego a Aristóteles, Platão e Sócrates, mas aí já estou resignado com o fato de que não consigo mais parar.

Porque a filosofia só surgiu naquela época? Acabo voltando a 3.000 anos antes de Cristo quando a própria civilização nasceu e me vejo perguntando o que é civilização!

Então, eu observo o surgimento da escrita, do Estado, da agricultura, e nessa hora já estou por volta de 10.000 a.c.. quando caio no fim de uma glaciação. Enquanto observo a total dependência de minha filha de seis meses, me pergunto como o homem conseguiu sobreviver àquilo!

Então, penso no fogo e no homem como um macaco.

Penso em dinossauros e em um peixe deslizando para fora do mar.

Penso na vida e em um aglomerado de moléculas se reproduzindo.

Penso na Terra e no sistema solar como uma nebulosa giratória.

Penso no universo e numa explosão do nada….

E foi assim, no auge da minha loucura e “paralisia por análise”, quando eu não fazia mais ideia de por onde começar, que eu encontrei David Christian falando da “Grande História”.

Imediatamente, odiei o sujeito.

Com oito limiares, ele resume magistralmente 13.8 bilhões de anos de existência.

Com quinhentas palavras eu mal consigo explicar como ouvi falar dele.

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