O Plano 500

Diz uma lenda urbana que Hemingway escrevia no mínimo quinhentas palavras por dia, todo dia. Diz outra que eu vou fazer o mesmo…

O plano desse site é simples. Ou melhor, simples de compreender, não de executar. Ao menos, não para mim.

Em algum dia do passado, eu me considerei um homem de perseverança e disciplina severas. Isso mudou com o passar dos anos. Hoje, traçar um objetivo e permanecer nele é uma luta quase perdida. Em algum lugar, eu deixei uma parte importante do meu caráter, e isso fez toda a diferença. Eu sei que lugar foi esse, mas essa é uma estória para outro dia. O que interessa aqui é que eu preciso reconquistar a minha moral comigo mesmo. E, para isso, muito mais difícil do que entrar em uma favela e abrir meu caminho a tiro, porrada e bomba, é ligar meu computador todo dia e escrever a minha nova história. Esse é meu compromisso aqui — e o pavor não se compara a nenhuma outra situação de combate.

No entanto, eu tenho uma estratégia. Ela é ao mesmo tempo simples e complexa, fácil e (muito) difícil.

Dizem que Hemingway escrevia no mínimo quinhentas palavras por dia, fizesse sol ou chuva, TODO dia.

Bom, esse é o plano.

É claro que não me refiro aqui a quinhentas palavras dignas de publicação — muito menos, dignas de Hemingway — apenas quinhentas palavras, sejam acerca de história, filosofia, experiências de combate, devaneios, críticas, ou apenas desabafos. O importante aqui é o número de palavras e a frequência.

Quinhentas palavras. Todo dia.

Para tanto, eu tenho que vencer bem mais do que a procrastinação; eu tenho que vencer meu perfeccionismo paralisante.

Todo dia significa não procrastinar, significa aparecer para o trabalho diariamente como qualquer profissional. Estatisticamente, eu diria que isso é impossível para mim. Se eu pudesse apostar contra, eu faria, na certeza de ganhar um bom dinheiro. Mas se assim não fosse, não seria uma “resolução de Ano Novo” decente.

Escreverei todo dia, seja sábado ou domingo, feriado, ou dia de inúmeras operações policiais na CORE. Essa é a ideia.

Por UM ANO.

São 365 * 500 palavras = 182.500 palavras.

Tão difícil quanto, é a parte de manter os textos em quinhentas palavras. Não porque seja muito ou pouco, mas porque são exatas quinhentas palavras, nem mais, nem menos[1]. Escrever menos é ficar aquém do propósito; escrever mais, é me preparar para a derrota. Se eu me permitir escrever à vontade, vou querer que os textos fiquem “perfeitos”, vou exigir demais de mim (como sempre) e falhar (como sempre). “O ótimo é inimigo do bom” poderia ser meu mantra. Preciso me ater ao bom, ao minimamente razoável que seja. Além disso, quinhentas palavras estimulam a disciplina e o poder de síntese, aquela capacidade de integração conceitual tão definidora do que é ser humano.

Existe uma libertação no ato de restringirmos a nós próprios. “Através da auto-disciplina vem a liberdade”, disse supostamente Aristóteles. Meus limites são auto-impostos; se eu não conseguir respeita-los, então é porque eu não me respeito — melhor procurar então um terapeuta ao invés de escrever tanto.

Quinhentas palavras.

Todo dia.

Nada mais.

Nada menos.

 


Notas

1. Eventuais legendas de figuras e notas de rodapé como essa não entram na contabilidade das quinhentas palavras. Não tem porque prescindir dessa flexibilidade.

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