A Estória da Civilização: Elementos Econômicos – Organização Econômica

Foi uma grande evolução moral quando o homem parou de matar ou comer seu próximo e passou apenas a escravizá-lo…
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 20.
(Um escravo de Louisiana ou Mississipi, 1863: apesar da escravidão no Brasil “ter acabado” ainda mais tarde que nos EUA, não encontro fotos de domínio público. Por que será?)

SUMÁRIO: A agricultura levou à propriedade, à desigualdade, à escravidão, à indústria, à luta de classes, ao Estado; ou seja, à “civilização”.

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História da Filosofia – Aula 5: Pitágoras e o Mundo dos Números

“…o ponto crucial é a importância vital da matemática na descoberta das leis do mundo, em dar sentido ao universo […] a ciência moderna é em parte um desenvolvimento dessa descoberta dos pitagóricos.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 5.
(A equação de Drake é um argumento probabilístico usado para estimar o número de civilizações em nossa galáxia com as quais a comunicação pode ser possível. Quão louco é isso? Aposto que Drake não teria tido essa ideia se não fosse pelos pitagóricos. Fonte original: Kevin Gill; CC BY 2.0 / Dessaturado do original)

Então, Parmênides criou um problema. O mundo era feito de uma única coisa, mas que parecia mudar, enquanto a Lógica afirmava que isso era impossível. Como conciliar isso em um único mundo? Bem, você não concilia. Existem dois mundos: o “mundo das aparências”, sempre mudando e apreendido pelos sentidos; o mundo “real”, imutável e oculto. E o real, acredite ou não, seria feito de números.

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O.P.A.R. – Comentário: Definições e a Bagunça Analítico-Sintética de Kant)

“Como auxílio ao processo de conceitualização, os homens selecionam do conteúdo total do conceito algumas características; eles selecionam as que melhor condensam e diferenciam esse conteúdo em um determinado estágio do desenvolvimento humano. Essa seleção não reduz de forma alguma o conteúdo do conceito; pelo contrário, pressupõe a riqueza do conceito. Pressupõe que o conceito é uma integração de unidades, incluindo todas as suas características.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, páginas 102-103.
(Há muita coisa errada na conclusão de Kant de que “devem existir juízos sintéticos a priori”, mas a parte “sintética” dela é devida a uma teoria dos conceitos defeituosa, uma que confunde a definição de um conceito com o seu conteúdo.)

Eu não participo da animosidade de Ayn Rand (e de Leonard Peikoff) contra Kant. No entanto, seu sistema filosófico não faz sentido para mim.

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Um Comentário (meio) Objetivista sobre “Duna”

“Profecia e presciência – Como podem ser postas à prova diante das questões não respondidas? Considere: quanto é a previsão real da “forma de onda” (como Muad’Dib referiu-se à sua visão-imagem) e quanto o profeta está moldando o futuro para se adequar à profecia? E quanto aos harmônicos inerentes ao ato da profecia? O profeta vê o futuro ou ele vê uma linha de fraqueza, uma falha ou clivagem que ele pode quebrar com palavras ou decisões como um cortador de diamantes quebra sua gema com um golpe de uma faca?”
— Frank Herbert, “Duna”, página 312.
(The Kaaba. Profecias, profetas, uma misteriosa pedra negra consagrada em um enorme cubo granítico. O “poder da religião” é o tema de Duna. Mas não é esse o tema aqui na Terra também?)

Desconsiderando a injusta competição da Epopéia de Gilgamesh, Duna pode ser considerado o primeiro romance de ficção científica do tipo “o escolhido”. Luke, Neo, Aragorn, Potter, todos devem pelo menos alguns de seus poderes a Paul Atreides e, claro, a Frank Herbert. Mas o que realmente me chamou a atenção desde o começo do livro foram suas tendências (meio) objetivistas. Se eu tivesse que escolher uma única palavra para representar o Objetivismo, ela seria “razão”. Se eu tivesse que escolher para Duna, também seria… – OK, seria “vermes-de-areia” – mas a próxima escolha seria “razão” também.

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O.P.A.R – Capítulo 3: Formação dos Conceitos

“O experimento foi uma tentativa de descobrir a capacidade das aves de lidar com números. Quando os corvos estavam reunidos em uma clareira em algumas florestas, um homem entrou na clareira e caminhou para a floresta. Assim que ele apareceu, os corvos se esconderam nas copas das árvores; eles não sairiam até que o homem retornasse e saísse da área. Então três homens entraram; novamente os corvos se esconderam. Desta vez, apenas dois dos homens saíram e os corvos não saíram; eles sabiam que um ainda permanecia. Mas quando cinco homens chegaram e quatro foram embora, os corvos saíram, aparentemente confiantes de que o perigo estava acabado. Essas aves, ao que parece, poderiam discriminar e lidar com apenas três unidades; acima de três, as unidades ficaram borradas ou fundidas em sua consciência. A aritmética dos corvos, com efeito, seria: 1, 2, 3, muitos.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 105.
(A “epistemologia do corvo”, como Ayn Rand a chamava informalmente, é o princípio subjacente à utilidade fundamental dos conceitos: integrar um grupo de concretos em um único todo mental – um dispositivo para alcançar a economia de unidades.)

Um animal conhece apenas um punhado de fatos concretos e age automaticamente sobre eles. Um homem, em contraste, vai além de suas observações, ele generaliza e identifica leis naturais, ele hipotetiza fatores causais, e ele projeta cursos alternativos de ação e consequências de longo prazo. O homem, em resumo, é um ser conceitual. Essa é a teoria, pelo menos; na prática, vemos animais por toda parte.

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Zenão, Formigas, E Como Eu Estou Paralisado Na Vida

Essa formiga ficou presa no âmbar. Eu sei como ela se sente.
(Fonte original: Anders L. Damgaard; CC BY-SA 3.0 / Dessaturado do original)

Parmênides foi um dos grandes primeiros filósofos que tivemos. Ironicamente, para alguém que pregava imobilidade em suas conclusões, ele levou a filosofia adiante com suas premissas. Mas penso é em suas conclusões agora, quando olho para minha vida. Eu me pergunto se o mundo – pelo menos o meu mundo – não está imóvel, afinal.

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A Estória da Civilização: Elementos Econômicos – As Fundações da Indústria

“O homem, disse Franklin, é um ‘animal que usa ferramentas’.”
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 12.
(Um “lascador” de Irian Jaya, em Papua Ocidental, Nova Guiné: estudos sugerem que a habilidade desse tipo de produção de ferramentas de pedra é dominada por hominínios há cerca de 500 mil anos — e que isso indica a presença de algum tipo de linguagem já naquela época.)

SUMÁRIO: Começando com a descoberta do fogo, o homem passa a construir ferramentas e a produzir cada vez mais bens materiais e alimentícios, e, assim, aprimora suas condições de vida. Inicialmente, a melhora se dá pela utilização direta dos bens; posteriormente, pelo acúmulo de riquezas através da comercialização do excedente.

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A Estória da Civilização: Elementos Econômicos – Da Caça para o Cultivo

No momento em que o homem passa a pensar no amanhã, ele sai do Jardim do Éden para o vale da ansiedade…
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 6.
(Ju/’hoansi “bushmen” na Namíbia: caçadores-coletores que, até hoje, vivem o momento e sobrevivem com quinze horas semanais de trabalho.)

SUMÁRIO: A descoberta da agricultura pelas mulheres tira o homem da caça ao prover um suprimento confiável de alimento, enquanto a domesticação dos animais aprimora sua vida — o homem aprende o conceito de tempo e, com isso, descobre a ansiedade e começa a ser humano.

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História da Filosofia – Aula 4: Parmênides e a Lógica da Imobilidade

“Então [de acordo com Parmênides] o mundo é simplesmente uma bola não diferenciada de matéria bem empacotada, imóvel e imutável. Agora, é desnecessário dizer, essa não é a maneira com a qual ele aparece aos nossos sentidos.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 4.
(Há tanto movimento no mundo que é difícil entender como Parmênides chegou a pensar que não há. Contudo, havia lógica por trás do seu raciocínio, e isso gerou um sério problema para a filosofia. Foram necessários cerca de cem anos e Aristóteles para a humanidade encontrar uma solução.)

Heráclito disse: “A mudança é óbvia, portanto, ao inferno com a lógica.” Parmênides disse: “A lógica é óbvia, portanto, ao inferno com a mudança.” Ainda usando as próprias palavras de Peikoff, sua filosofia pode ser resumida pelo princípio “O que é, é, e o que não é, não é, e o que não é, não pode nem ser, nem ser pensado.” Difícil negar essa lógica.

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O.P.A.R. – Comentário: Evasão Epistemológica

“O indolente não integra seu conteúdo mental; o evasor os desintegra, lutando para desconectar um dado item de tudo o que lhe daria clareza ou significado em sua própria mente. No primeiro caso, o indivíduo está imerso na névoa por padrão; ele escolhe não elevar seu nível de consciência. No outro caso, ele gasta energia para criar uma névoa; ele abaixa seu nível de consciência.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 61.
(“O Aviso da Névoa”, de Winslow Homer, 1885, mostra um pescador avistando sua embarcação-mãe no horizonte, à frente de ameaçadoras nuvens que se aproximam. Assim como ele, precisamos trabalhar duro para alcançar a segurança; basta não fazermos nada para sermos engolidos pela névoa da evasão.)

A distinta capacidade do homem é a sua faculdade conceitual, o fato de que ele pode focar sua atenção, integrar, pensar. Mas tudo isso depende de sua vontade. Ele pode, ao invés disso, deixar-se “sair de foco, relaxar sua concentração, abandonar seu propósito e cair em um estado de névoa e deriva”. Isso é evasão e, até onde eu sei, todo mundo faz isso – rotineiramente – com menor ou maior frequência. Eu me encaixo no segundo grupo.

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