A Estória da Civilização: Elementos Políticos – Lei

Quando a essa base natural de costumes uma sanção sobrenatural é adicionada pela religião, e os ditames dos ancestrais também são os desejos dos deuses, então os costumes se tornam mais fortes que a lei, e subtraem substancialmente da liberdade primitiva.
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 26.
(“A Execução de uma Judia Marroquina”, pintura de Alfred Dehodencq, 1860. Sol Hachuel, de 17 anos, foi decapitada pela falsa acusação de apostasia, ou seja, a renúncia de sua religião anterior. Treze países, ainda hoje, aplicam a pena de morte para tal “crime”. Sim, estamos em 2019.)

SUMÁRIO: No início, as leis eram os costumes, e o homem não possuía direitos individuais, mas com a propriedade, o casamento e o governo, as leis evoluíram, e o indivíduo surgiu.

Continuar lendo

História da Filosofia – Aula 7: O Ceticismo dos Sofistas

“Górgias, que foi o exemplo perfeito de um cético do século XX transplantado para a Grécia antiga […] manteve três proposições básicas: um, nada existe; dois, se alguma coisa existisse, você não poderia saber; três, se você pudesse saber, você não poderia se comunicar. Agora, isso é o que se chama de ceticismo.”
— Leonard Peikoff, curso “História da Filosofia”, ARI, Aula 7.
(Eu não gosto de arte moderna. Mas se procurarmos bem, talvez tenha algo para se aprender com ela. A escultura de aço “Protágoras”, de Charles Ginnever, bem poderia ser considerada a concretização de uma ideia filosófica. A escultura muda de forma à medida que os espectadores se movem em torno dela, o jogo de luz e sombra em suas formas triangulares dando vida à estrutura massiva. “Os sentidos enganam”, eu diria que é a mensagem. Mas, agora, tente imaginar alguém saltando dessa ideia malformada (porque não são os sentidos que estão errados, mas os conceitos que geramos a partir deles) para a conclusão de que nada existe. Talvez alguns dos juízes federais que trabalham no Edifício Burger, em St. Paul, Minnesota, onde “Protágoras” está instalada, gostariam que ela desaparecesse. Mas afirmar que ela nunca existiu seria um pouco forçado. No entanto, é exatamente isso que sofistas como Protágoras e Górgias faziam.)

Os sofistas foram tachados ao longo da história como professores gananciosos e imorais, mas isso é polêmica para um curso de história, ou um sobre Platão e sua obsessão por eles. Leonard Peikoff se concentra, em vez disso, nas ideias que eles apresentam — mesmo que sua ideia principal seja a negação de todas as ideias.

Continuar lendo

O.P.A.R. – Comentário: A Postura de Voltaire

“O agnóstico trata alegações arbitrárias como assuntos propriamente abertos à consideração, discussão, avaliação. Ele permite que seja “possível” que essas afirmações sejam “verdadeiras”, aplicando, assim, descrições cognitivas a um palavreado que está em guerra com a cognição. Ele exige provas de um negativo: cabe a você, declara ele, mostrar que não há demônios, ou que sua vida sexual não é resultado de sua encarnação anterior como um faraó do antigo Egito.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 170.
(Pode haver alienígenas no lado escuro da lua. Quem sabe? Alegações desprovidas de qualquer evidência devem ser desconsideradas. Não importa o que você sente sobre isso. Tome sua posição com base em sua avaliação da realidade e diga o que você sabe. Você sabe que não há civilização alienígena no lado escuro da lua, não sabe? Ou você vai me dizer que é agnóstico em relação a isso também?)

“Yo no creo en brujas, pero que las hai, las hai”. Isso resume o credo do agnóstico. Isso não é atitude alguma. Isso é ficar em cima do muro. É renunciar à responsabilidade de julgar, de escolher seu caminho, de construir e depois postar-se atrás de suas próprias convicções. Em uma palavra, é evasão. Eu costumava dizer que era agnóstico. Não. Posicione-se. Tenha a coragem de dizer. Seja ousado por uma vez. Eu não sou mais agnóstico. Eu sou ateu.

Continuar lendo

O.P.A.R – Capítulo 5: Razão

“Objetivismo não é contra emoções, mas contra emocionalismo. A preocupação de Ayn Rand não é defender o estoicismo ou encorajar a repressão, mas sim identificar uma divisão de trabalho mental. Não há nada errado com o sentimento que se segue a um ato de pensamento; esse é o padrão humano natural e adequado. Há tudo de errado com o sentimento que procura substituir o pensamento, usurpando sua função.”
Leonard Peikoff, “O.P.A.R.”, página 162.
(Você realmente acha que deveria matar uma barata e ter pena dos gatos nas ruas? Você realmente faz isso porque ponderou todos os fatos? Você mata uma barata porque ela evoca um sentimento ruim em você. Nada mais. O que mais você mata — ou deixa morrer — baseado nos seus sentimentos? No fim das contas, é tudo sobre filosofia — ou a falta dela.)

“Siga a razão”. Se objetividade é aderir à realidade, razão é a faculdade do homem que lhe permite fazê-lo. É a faculdade que processa os dados provenientes da realidade — percepções — na forma humana de cognição — conceitos — através do método humano de cognição — lógica. No entanto, o homem prefere ser guiado por seus sentimentos do que pela razão. E depois ele se pergunta por que o mundo é como é.

Continuar lendo

A Síntese Impossível

Altar dos Pais da Igreja”, por Michael Pacher (c. 1483).

Bertrand Russell, em sua “História da Filosofia Ocidental”, introduz a segunda parte do livro dizendo que a Idade Média é a história do “crescimento e decadência” da síntese católica. Ele acha tão claro o que está sendo sintetizado que esquece de dizer o que é. Mas agora, enquanto releio certas porções do livro, sei que a síntese almejada foi entre e razão. Meu professor de História da Filosofia Medieval acha que ela foi bem-sucedida. Eu, da minha parte, não sei de onde ele tirou essa ideia.

Continuar lendo

Mestres Por Toda Parte

Os Grandes Livros do Mundo Ocidental — “Mestres por toda parte”.

Sempre ouvi falar de Aristóteles, Platão, Dante, Spinoza e Kant, mas nunca pensei que pessoas “normais” devessem lê-los. Eles pertencem à História, e o que quer que eles tenham contribuído para a sociedade já está embutido em nossas vidas cotidianas, já tendo influenciado quem fez o que tinha que ser feito para criar a era tecnológica em que vivemos e a sociedade pseudo-civilizada e caótica em que vivemos. No que dizia respeito a mim, eu não tinha que estudar Pitágoras — tudo que eu precisava saber era como calcular a hipotenusa. Na verdade, tudo o que precisamos agora é pressionar o botão correto em uma calculadora ou usar o comando certo em qualquer linguagem de programação comum. Eu sempre fui um homem prático. Eu faço coisas. Eu não fico sentado em casa na minha poltrona absorto em pensamentos. Por que eu deveria ler esses livros arcanos e complexos? Além disso, eu sabia que não entenderia muito, mesmo se tentasse.

Continuar lendo

O Tolo Beligerante

O tolo beligerante.
(“O fantasma do ‘Call of duty’.” / CC BY-SA 4.0)

Desde o início de minha “carreira científica”, eu mantive ao mesmo tempo outra profissão como policial civil estadual. Eu sempre tive um espírito aventureiro e queria fazer algo de bom para a sociedade. Como eu nunca fui muito inclinado para o trabalho de caridade, eu pensei que talvez conseguisse fazer algum bem atirando em pessoas más. Aqui, no Rio, eu sabia que isso não seria muito difícil.

Continuar lendo

O Homem Não Educado

O homem não educado.
(“Retrato de Aristóteles”, por Eric Gaba / CC BY-SA 2.5 / Trabalho derivado)

É difícil apontar exatamente como cheguei à Filosofia, mesmo que tudo tenha começado somente há alguns anos. As coisas não estavam boas na companhia (de novo) e eu estava consumido por sentimentos não identificados de ansiedade (como sempre), então eu finalmente tomei coragem, larguei meu emprego científico, e me tornei apenas um policial. Eu não podia continuar vivendo uma vida de mentiras, fingindo que eu era internamente o que parecia ser externamente. Tudo o que eu sabia era que precisava de respostas para perguntas que mal conseguia formular.

Continuar lendo

A Estória da Civilização: Elementos Políticos – Origens do Governo e do Estado

Sociedades são governadas por dois poderes: a palavra quando em paz, a espada quando em crise; a força só é usada quando o adestramento falha.
Will Durant, “Nossa Herança Oriental”, página 22.
(Estudante acena com bandeira na Praça Tiananmen, em Pequim, China, 1989. Tal “violento” protesto gerou represália do governo de Deng Xiaoping: estima-se que mais de 10,000 pessoas tenham sido mortas.)

SUMÁRIO: O homem só se associa a outros por interesse próprio; foi a guerra que estimulou um nível de organização suficiente para a centralização do poder em um governo. O estado é resultado da conquista pela força, da substituição dos laços de parentesco pela dominação, mas só se mantém pelo adestramento do homem, que se permite adestrar — pela família, igreja e escola — para satisfazer seus interesses.

Continuar lendo